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Juros da casa própria: por que a queda da Selic ainda não chegou ao financiamento da Caixa

A Caixa deve atingir R$ 1 trilhão em crédito imobiliário, mas descarta reduzir juros agora. Entenda como o custo do dinheiro e o cenário global travam a queda.

15 abr 2026 - 08h19 Joice Gomes   atualizado às 08h23
Juros da casa própria: por que a queda da Selic ainda não chegou ao financiamento da Caixa Sede da Caixa Econômica Federal: instituição projeta ano recorde no crédito habitacional. (Imagem: gerado por IA)

O sonho da casa própria com prestações mais baratas terá que esperar um pouco mais, apesar do recente movimento de queda na taxa básica de juros da economia. A Caixa Econômica Federal, que caminha para atingir a marca histórica de R$ 1 trilhão em sua carteira de crédito imobiliário ainda este ano, sinalizou que não pretende reduzir as taxas de seus financiamentos no curto prazo.

A decisão frustra quem esperava um alívio imediato após o Comitê de Política Monetária (Copom) iniciar o ciclo de cortes na Selic. Para a liderança do banco, o cenário ainda é de cautela extrema: o custo para captar os recursos que sustentam os empréstimos permanece elevado e as incertezas geopolíticas, especialmente o conflito no Oriente Médio, colocam em dúvida a velocidade e a profundidade da queda dos juros no Brasil.

Na prática, isso muda mais do que parece. Mesmo sendo a instituição com as menores taxas do mercado, a Caixa entende que a margem para manobras é estreita, priorizando a sustentabilidade da operação em vez de uma redução agressiva para ganhar mercado.

O que muda na prática com as novas regras da poupança

Para compensar a manutenção dos juros, o banco aposta em uma flexibilização nas regras de contratação. Com a recente reformulação do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), o teto para o financiamento de imóveis subiu para R$ 2,250 milhões, e os clientes voltaram a ter acesso ao financiamento de até 80% do valor do bem.

Essa mudança estratégica foi impulsionada pela liberação de mais de R$ 30 bilhões da caderneta de poupança, recursos que antes ficavam retidos como depósitos compulsórios no Banco Central. O impacto é direto no bolso da classe média, que agora encontra um fluxo mais fluido de crédito para imóveis que superam os limites do programa Minha Casa Minha Vida.

Mas o impacto vai além do volume disponível. O novo modelo incentiva os bancos a emprestarem mais para a habitação: a cada real concedido em crédito imobiliário, a instituição ganha o direito de utilizar um real da poupança para outras modalidades mais rentáveis por até cinco anos. É um jogo de equilíbrio para tentar manter o setor aquecido mesmo com juros ainda em patamares de dois dígitos.

Por que isso importa agora e o entrave dos juros

E é aqui que está o ponto central: por que os juros não caem se a Selic caiu? A vice-presidente de Habitação da Caixa, Inês Magalhães, aponta para um fenômeno técnico chamado "descasamento de duration". Enquanto o banco ganha liberdade para usar os recursos da poupança por cinco anos, um contrato de financiamento imobiliário dura, em média, de 12 a 18 anos.

Além disso, o custo do dinheiro que o banco acessa no mercado ainda não refletiu totalmente o corte inaugural da Selic — que passou de 15% para 14,75%. Com as projeções de inflação voltando a subir, o Banco Central tende a ser mais conservador, o que mantém o custo de captação alto para as instituições financeiras.

A boa notícia para o consumidor é que a Caixa deixou de ser a "única porta" aberta. Com as novas regras, outros bancos privados voltaram a ter apetite pelo setor, equilibrando a oferta. Atualmente, as taxas da Caixa permanecem fixadas em até 11,49% + TR para o Sistema Financeiro de Habitação (SFH). O cenário futuro depende agora de uma estabilidade global que permita ao Brasil continuar sua trajetória de cortes sem sobressaltos inflacionários.

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