Mudanças climáticas e seca preocupam produtores e podem afetar a oferta de café.
(Imagem: Canva)
O café, uma das bebidas mais consumidas pelos brasileiros e símbolo importante do agronegócio nacional, enfrenta riscos que podem reduzir sua oferta nos próximos anos. Especialistas alertam que calor extremo, longos períodos de seca e avanço de pragas têm prejudicado lavouras em diferentes regiões produtoras.
O cenário climático adverso já impacta diretamente a produção de café, resultando em colheitas menores e aumento de preços no mercado interno e externo. Em algumas áreas, produtores relatam perdas significativas provocadas pela falta de chuva e pelas altas temperaturas.
Diante desse desafio, agricultores começaram a adotar novas estratégias de cultivo. Uma das alternativas é o plantio sombreado, sistema em que os cafeeiros crescem próximos a árvores maiores, ajudando a reduzir o calor excessivo e conservar a umidade do solo.
Produção de café sofre com mudanças climáticas
O café é uma cultura perene, ou seja, a planta produz por vários anos após o plantio. Porém, sua produtividade depende de condições climáticas adequadas em fases importantes, como a florada, normalmente registrada entre setembro e novembro.
Quando esse período coincide com seca intensa e temperaturas elevadas, a planta pode sofrer estresse hídrico, queda de folhas e redução da formação dos frutos. Isso compromete não apenas a safra atual, mas também colheitas futuras.
Estudos climáticos indicam tendência de aumento da temperatura média global nas próximas décadas. Esse avanço preocupa especialmente a produção de café arábica, variedade amplamente cultivada no Brasil e bastante sensível ao calor excessivo.
Pragas e doenças ampliam preocupação
Além do clima, produtores enfrentam o avanço de pragas favorecidas pelo ambiente quente e seco. Entre elas está o bicho mineiro, inseto que ataca folhas do cafeeiro e pode reduzir a capacidade produtiva da planta.
Com menos folhas saudáveis, o cafeeiro perde vigor e tende a apresentar menor rendimento. Em larga escala, isso ameaça a competitividade brasileira em um mercado no qual o país ocupa posição de destaque mundial.
Apesar dos riscos, pesquisadores trabalham no desenvolvimento de variedades mais resistentes ao calor e à seca. Técnicas de manejo sustentável e sistemas de cultivo mais adaptados também ganham espaço como alternativas para preservar a produção de café.
Se os desafios climáticos persistirem, o café pode se tornar mais caro e menos abundante no futuro, afetando consumidores e produtores em todo o país.