Correios suspendem atendimento presencial durante o Carnaval.
(Imagem: © Joédson Alves/Agência Brasil)
O prejuízo dos Correios alcançou R$ 8,5 bilhões em 2025, segundo balanço divulgado pela estatal. O resultado representa um aumento expressivo em relação ao ano anterior, quando as perdas somaram R$ 2,6 bilhões.
De acordo com a empresa, o desempenho negativo foi impactado principalmente pelo crescimento das obrigações judiciais e pelo avanço dos custos operacionais. A situação acende um alerta sobre a sustentabilidade financeira da companhia e reforça a necessidade de mudanças internas.
Grande parte do valor registrado no prejuízo dos Correios veio de processos judiciais. Somente essas despesas somaram R$ 6,4 bilhões no último ano. Entre os principais casos estão ações trabalhistas relacionadas a pedidos de adicionais de periculosidade e pagamentos ligados às atividades externas de entrega e coleta.
A receita bruta da estatal também apresentou retração. Em 2025, os Correios registraram arrecadação de R$ 17,3 bilhões, resultado inferior ao observado no período anterior.
Empresa busca crédito e tenta recuperar equilíbrio financeiro
Diante do cenário desafiador, a estatal buscou apoio financeiro no mercado e contratou cerca de R$ 12 bilhões em empréstimos junto a bancos públicos e privados.
Segundo a direção da empresa, a sequência de resultados negativos afeta diretamente a operação. A dificuldade de caixa compromete pagamentos a fornecedores, reduz investimentos e dificulta a conquista de novos contratos.
Outro fator citado pela gestão é a rigidez da estrutura de custos. Mesmo com queda nas receitas, a empresa afirma que não consegue reduzir despesas na mesma velocidade, o que aumenta a pressão sobre o caixa.
Além disso, os Correios enfrentam mudanças profundas no setor logístico. O avanço de grandes empresas de comércio eletrônico, que passaram a investir em entregas próprias, reduziu espaço de mercado antes dominado pela estatal.
Também houve impacto das transformações digitais no envio de correspondências tradicionais. O volume de cartas vem diminuindo nos últimos anos, reduzindo uma importante fonte histórica de receita.
Planos de demissão e expectativa para 2027
Como parte do processo de ajuste, os Correios abriram programas de desligamento voluntário. Milhares de funcionários aderiram às iniciativas, que buscam diminuir custos com pessoal.
A direção informou ainda que novas medidas podem ser adotadas futuramente, caso sejam necessárias para acelerar a recuperação financeira.
Apesar do cenário atual, a administração projeta resultados positivos a partir de 2027, apostando em reestruturação, modernização e melhora operacional.
O presidente da estatal também afirmou que a privatização não está em discussão neste momento. Segundo ele, o foco atual é tornar a empresa viável, eficiente e capaz de voltar a gerar lucro.