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Qua, 15 de Julho
INSS

Flávio Dino suspende quebra de sigilo de empresária ligada a Lulinha

04 mar 2026 - 17h19 Alexsander Arcelino
Flávio Dino durante sessão no Supremo Tribunal Federal Ministro Flávio Dino suspendeu quebra de sigilo determinada pela CPMI do INSS (Imagem: Wilson Dias Agência Brasil)

O ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino, suspendeu nesta quarta-feira (4) a quebra de sigilo fiscal e bancário da empresária Roberta Luchsinger, determinada pela CPMI que investiga fraudes bilionárias no INSS.

Luchsinger é apontada como amiga de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Lula. Ela é investigada por suposta ligação com o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, apelidado de “careca do INSS”, apontado como operador do esquema.

Ao analisar o caso, Dino considerou que a CPMI aprovou, em bloco, 87 requerimentos sem fundamentação individualizada suficiente. Segundo o ministro, uma nova quebra pode ser autorizada, desde que haja análise específica e justificativa detalhada.

Possível impacto sobre Lulinha

A decisão não anulou a quebra de sigilo de Lulinha, também aprovada pela comissão. No entanto, parlamentares da oposição avaliam que o entendimento do ministro pode abrir precedente para questionamentos semelhantes na Justiça.

O deputado Marcel Van Hattem criticou a decisão e afirmou que os pedidos tinham justificativa formal. Já os requerimentos contra Luchsinger foram apresentados pelo deputado Alfredo Gaspar (União-AL).

Um dos documentos citava decisão do ministro André Mendonça que autorizou operação da Polícia Federal no âmbito das investigações sobre o INSS.

O que dizem as investigações

Segundo a Polícia Federal, valores atribuídos ao grupo de Antunes teriam sido repassados à empresa RL Consultoria e Intermediações, da qual Luchsinger é sócia. As transferências seriam provenientes de empresas apontadas como intermediárias no esquema de descontos indevidos em benefícios previdenciários.

As apurações também mencionam trocas de mensagens e movimentações financeiras consideradas atípicas. Lulinha nega qualquer irregularidade.

Entenda o caso do INSS

A investigação conduzida pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União revelou um esquema de descontos não autorizados em aposentadorias e pensões. A estimativa é que bilhões de reais tenham sido movimentados entre 2019 e 2024.

Entre os investigados estão servidores públicos, empresários e dirigentes de associações. Antunes é apontado como um dos principais intermediários financeiros do esquema.

Quem é Lulinha

Formado em biologia, Lulinha atuou no setor de tecnologia e foi sócio da empresa Gamecorp nos anos 2000. Ele já foi alvo de investigações anteriores relacionadas a supostos repasses de empresas de telecomunicações, mas os casos foram arquivados.

A eventual extensão da decisão de Dino ao filho do presidente dependerá de recurso específico apresentado pela defesa.

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