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Economia

Lula propõe negociação tripartite para acabar com escala 6x1 na abertura da Conferência Nacional do Trabalho

03 mar 2026 - 21h55 Joice Gomes   atualizado em 04/03/2026 às 08h45
Lula propõe negociação tripartite para acabar com escala 6x1 na abertura da Conferência Nacional do Trabalho Em São Paulo, Lula sugere construção coletiva para fim da escala 6x1. (Imagem: Paulo Pinto/Agência Brasil)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, nesta terça-feira (3), a construção conjunta de uma proposta de lei para encerrar a escala de trabalho conhecida como 6x1. A declaração ocorreu durante a abertura da II Conferência Nacional do Trabalho, no Anhembi, em São Paulo.

Segundo Lula, o ideal é que empregados, patrões e governo cheguem a um acordo antes que o tema avance no Congresso Nacional. Ele alertou que negociações prévias evitam medidas impostas que possam gerar disputas na Justiça do Trabalho.

A escala 6x1 prevê seis dias de trabalho seguidos por um de folga, comum em setores como comércio, indústria e serviços essenciais. Essa modalidade divide as 44 horas semanais de jornada em cerca de sete horas e 20 minutos diários, conforme a CLT.

Contexto da escala 6x1 no Brasil

A escala 6x1 é permitida pela Consolidação das Leis do Trabalho desde que respeite o repouso semanal remunerado. No entanto, críticos apontam que ela limita o tempo de descanso e lazer, especialmente em atividades que operam fins de semana.

O governo vê o fim dessa prática como prioridade para promover trabalho decente e melhorar a qualidade de vida. Estudos indicam que jornadas extensas associam-se a riscos de saúde física e mental, além de acidentes laborais.

Pesquisas recentes mostram apoio popular significativo: cerca de 65% a 73% dos brasileiros favorecem o fim da escala 6x1, com maior adesão entre jovens e regiões Nordeste e Sudeste.

  • Apoio chega a 76% entre 16 e 24 anos.
  • 66% entre trabalhadores formais e informais.
  • Mulheres (68%) superam homens (63%) na preferência pela mudança.

Posição equilibrada do governo Lula

Lula enfatizou que o governo não penderá para um lado nas discussões sobre o fim da escala 6x1. O objetivo é harmonizar interesses sem prejudicar trabalhadores ou a economia nacional.

A ministra do Planejamento, Simone Tebet, reforçou a viabilidade da medida. Ela citou estudos que apontam benefícios como mais tempo para estudo, família e descanso, sem perda salarial imediata.

O Planalto considera subsídios para pequenas empresas adaptarem-se à mudança. Isso visa mitigar impactos em negócios onde folha salarial supera 30% do faturamento.

Impactos econômicos e setoriais

Setores empresariais manifestam preocupações com o fim da escala 6x1. Entidades industriais preveem aumento de custos, podendo chegar a 21% na folha do comércio, com impacto anual de R$ 122 bilhões.

Estudos da FIEMG alertam para risco de perda de até 18 milhões de empregos e queda de 16% no PIB sem ganhos de produtividade. Pequenos empreendedores temem repasse de custos ao consumidor e maior informalidade.

Por outro lado, otimismo governista aponta para criação de 4,5 milhões de vagas com redução gradual da jornada para 40 ou 36 horas. A transição em três anos é proposta para suavizar ajustes.

  • Comércio e indústria lideram resistências por operação contínua.
  • Saúde e serviços essenciais demandam escalas alternativas como 5x2.
  • Governo estuda desoneração fiscal para equilibrar competitividade internacional.

Tramitação legislativa e próximos passos

O tema avança no Congresso com PECs para reduzir jornada a 40 horas semanais, restringir sábados e domingos. Comissão do Senado aprovou texto com transição gradual.

Lula pediu reunião com presidente da Câmara para urgência no projeto. A II Conferência Nacional do Trabalho, até 5 de março, consolida 386 propostas de etapas regionais para políticas públicas.

Debates incluem qualificação profissional, proteção social e adaptação tecnológica. O diálogo tripartite pode resultar em texto consensual para envio ao Legislativo ainda em 2026.

Para trabalhadores, o fim da escala 6x1 promete mais equilíbrio vida-trabalho, reduzindo burnout e elevando bem-estar. Empresas buscam modelos que preservem produtividade, como automação e turnos otimizados.

O sucesso depende de negociações que contemplem especificidades setoriais, como oficinas mecânicas versus indústrias pesadas. Regra geral com adaptações por categoria é o caminho sugerido por Lula.

Enquanto isso, o governo monitora experiências internacionais, onde reduções de jornada nem sempre elevaram competitividade sem investimentos em eficiência.

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