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Econom

Governo eleva imposto de importados, recua parcialmente e chama repercussão de “fake news”

04 mar 2026 - 17h00 Alexsander Arcelino
Presidente Lula durante evento oficial no Palácio do Planalto Governo enfrenta repercussão após anúncio de aumento no imposto de importação (Imagem: Marcelo Camargo Agência Brasil)

Após anunciar, no início de fevereiro, a elevação do Imposto de Importação sobre mais de 1.200 produtos, incluindo itens de informática e eletrônicos, o governo federal voltou atrás em parte da decisão e passou a classificar como “fake news” as publicações que apontavam aumento generalizado nos preços.

A medida provocou forte repercussão nas redes sociais e críticas de parlamentares da oposição. Diante da reação, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços informou que reviu a tributação de 120 produtos, entre eles smartphones e componentes de computador.

O recuo foi comunicado à imprensa na tarde de sexta-feira (27). Horas depois, às 22h, o perfil oficial do governo divulgou vídeo do vice-presidente Geraldo Alckmin negando aumento de imposto para eletrônicos como celular, notebook, roteador, processador, placa-mãe e memória.

No vídeo, que ultrapassou milhões de visualizações, Alckmin afirmou que as informações sobre encarecimento desses itens eram falsas e que não haveria elevação das alíquotas citadas.

Oposição reage

A publicação gerou resposta imediata de parlamentares. O deputado Marcel Van Hattem questionou o posicionamento do governo, afirmando que o recuo ocorreu após pressão no Congresso.

Nikolas Ferreira criticou o fato de a revisão atingir apenas parte dos produtos inicialmente listados. O deputado Kim Kataguiri também contestou o discurso oficial, citando documentos e declarações anteriores do governo sobre a elevação das tarifas.

Procurada, a assessoria de Alckmin declarou que o vídeo teve como objetivo combater desinformação, reiterando que não haverá aumento para os produtos mencionados.

Contexto político delicado

A polêmica ocorre em um momento de pressão política sobre o presidente Lula, que enfrenta desgaste em pesquisas eleitorais. Três dias antes do recuo, um vídeo crítico publicado por Nikolas Ferreira alcançou dezenas de milhões de visualizações, ampliando o debate nas redes.

Nos bastidores, aliados teriam avaliado que a repercussão digital contribuiu para a revisão parcial da medida. O ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, é apontado como um dos defensores da estratégia de resposta à crise.

Governo nega recuo amplo

No sábado (28), o governo voltou a afirmar que não houve revogação generalizada das alíquotas. Segundo comunicado, o Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior teria apenas mantido isenções já existentes ou ajustado casos específicos sem produção nacional equivalente.

A gestão argumenta que, com poucas exceções, não houve reversão do aumento aplicado inicialmente, mas sim manutenção de benefícios anteriores.

Defesa da equipe econômica

Em nota técnica divulgada no começo do mês, o Ministério da Fazenda justificou a alta como forma de compensar reduções passadas e fortalecer a indústria nacional. O ministro Fernando Haddad chegou a defender publicamente a medida dias antes do recuo, afirmando que a política não provocaria aumento de preços ao consumidor.

A controvérsia, no entanto, segue alimentando o debate político e econômico, especialmente em um cenário de intensa disputa nas redes sociais.

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