Fachada do Banco de Brasília no Distrito Federal
(Imagem: Joédson Alves Agência Brasil)
A distribuição de lucros realizada pelo Banco de Brasília em 2025 entrou no centro de um debate técnico e político no Distrito Federal. Segundo relatório da área técnica da Câmara Legislativa do Distrito Federal, o percentual repassado aos acionistas foi considerado elevado diante do cenário financeiro enfrentado pela instituição.
De acordo com o estudo da Consultoria Legislativa, o Banco de Brasília distribuiu 62,96 por cento do lucro líquido aos acionistas em 2025. Nos anos anteriores, a média foi de 39,51 por cento. Para os técnicos, essa distribuição de lucros ocorreu em um momento de aumento expressivo dos Ativos Ponderados pelo Risco, o que exigiria maior cautela na preservação de capital.
O relatório foi elaborado para subsidiar a análise de um projeto de lei enviado pelo Governo do Distrito Federal que solicita autorização para fortalecer financeiramente o banco.
Relatório aponta descapitalização
No documento, os técnicos afirmam que, sob a ótica prudencial do mercado financeiro, a retenção de resultados é o mecanismo mais eficiente para fortalecer o Patrimônio de Referência, conhecido como Capital de Nível 1, utilizado no cálculo dos índices de Basileia.
Para a área técnica da CLDF, a distribuição de lucros em percentual elevado pode ter contribuído para reduzir a capacidade do banco de absorver perdas, especialmente após prejuízos relacionados ao Banco Master.
O estudo sugere que a administração poderia ter optado por reter parte maior dos resultados, limitando o pagamento ao mínimo obrigatório ou até mesmo preservando integralmente os recursos para reforçar reservas estruturais.
Contexto da crise e investigações
Em 2025, fundos e pessoas ligadas ao Banco Master e à Reag já detinham cerca de 25 por cento do capital do BRB. A aquisição de ações por meio de supostos intermediários é alvo de investigação da Polícia Federal.
Na semana passada, a Justiça do Distrito Federal determinou o bloqueio das ações vinculadas a esse grupo, com o objetivo de garantir eventual ressarcimento ao banco.
Diante do cenário, o GDF encaminhou projeto à CLDF prevendo medidas para reforçar a estrutura financeira da instituição. Entre as propostas estão autorização para contratação de empréstimo de até R$ 6,6 bilhões e utilização de imóveis como garantia ou possível alienação.
Debate sobre o futuro do banco
O tema foi discutido em reunião entre o presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, e deputados distritais. Segundo relato, o dirigente afirmou que, do ponto de vista regulatório, a não aprovação do projeto poderia comprometer o funcionamento da instituição.
O presidente destacou que o banco segue operando normalmente, realizando o pagamento de mais de 209 mil servidores públicos e administrando dezenas de programas sociais.
Enquanto o projeto tramita na CLDF, a distribuição de lucros realizada em 2025 permanece como um dos principais pontos de questionamento técnico, especialmente em relação ao equilíbrio entre remuneração de acionistas e solidez financeira da instituição.