Movimentação do dólar comercial reflete tensões tarifárias entre Brasil e Estados Unidos.
(Imagem: Valter Campanato/Agência Brasil)
O mercado financeiro brasileiro teve um dia de forte otimismo nesta quarta-feira (22). O dólar caiu 0,42% e encerrou cotado a R$ 5,053 na venda, atingindo o menor valor de fechamento registrado desde 2 de junho. Trata-se da terceira sessão consecutiva de desvalorização da moeda americana frente ao real, acumulando recuo de 7,95% ao longo do ano.
A queda do câmbio foi impulsionada pela combinação entre a disparada nas cotações internacionais do petróleo, o atraente diferencial de juros entre o Brasil e os Estados Unidos e a entrada consistente de recursos de investidores internacionais. Mesmo com a entrada em vigor do tarifaço norte-americano, os analistas avaliaram que as medidas já estavam precificadas e não afetaram a trajetória da moeda.
Ibovespa avança mais de 2% com impulso da Petrobras e mineradoras
Acompanhando o ambiente favorável, o Ibovespa encerrou uma sequência de cinco quedas consecutivas e subiu 2,44%, alcançando 177.547,57 pontos. O volume de negociações foi puxado pela busca de investidores por ativos brasileiros, considerados atrativos em comparação com o mercado de Nova York.
A alta do barril de petróleo favoreceu diretamente as ações da Petrobras (PETR3 subiu 2,39% e PETR4 avançou 2,21%), impulsionando a balança comercial do país, que atua como exportador líquido da commodity. O fluxo cambial positivo acumulado no país até julho soma US$ 17,946 bilhões em 2026, segundo dados divulgados pelo Banco Central.
Tensões no Oriente Médio elevam cotação do petróleo
O avanço das cotações da commodity no mercado internacional reflete o aumento do risco geopolítico. Pelo quarto dia seguido, o preço do barril registrou alta diante do agravamento das tensões no Oriente Médio e do receio de bloqueios em rotas marítimas estratégicas.
| Contrato de Petróleo | Valor de Fechamento | Variação no Dia |
| Brent (Setembro) | US$ 94,07 / barril | +3,36% |
| WTI (Setembro) | US$ 86,83 / barril | +2,95% |
Os temores de interrupção do fornecimento global decorrem das ameaças registradas nos estreitos de Ormuz e Bab-el-Mandeb, além do aumento da retórica entre autoridades norte-americanas e iranianas, superando as projeções do aumento de estoques nos EUA.