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Sex, 11 de Setembro
Economia

Dólar encosta em R$ 5,10 com impacto de tarifas dos EUA e aversão global ao risco

O dólar fechou a R$ 5,098 impulsionado por novas tarifas dos EUA e dados fortes do mercado americano, enquanto o Ibovespa recuou mais de 1,2%.

16 jul 2026 - 20h19 Joice Gomes   atualizado em 17/07/2026 às 08h26
Dólar encosta em R$ 5,10 com impacto de tarifas dos EUA e aversão global ao risco Movimentação do dólar comercial reflete tensões tarifárias entre Brasil e Estados Unidos. (Imagem: Valter Campanato/Agência Brasil)

A combinação de novas barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos e a inesperada força da economia americana voltou a pressionar o mercado financeiro brasileiro nesta quinta-feira. O dólar comercial registrou alta de 0,40% e fechou cotado a R$ 5,098, após flertar com a marca de R$ 5,11 ao longo da tarde.

Essa escalada acendeu o sinal de alerta entre os investidores, que agora recalculam os rumos do comércio exterior. O movimento coincide com a confirmação de uma alíquota de 25% sobre parte dos produtos que o Brasil exporta para o mercado norte-americano.

Na prática, o mercado tenta absorver os impactos reais dessa medida protecionista. Embora itens de peso como petróleo, carne, café e aeronaves tenham ficado fora do pacote de tarifas, a tensão sobre as cadeias produtivas globais continua ditando o ritmo dos negócios.

O que está por trás da força do dólar no cenário global

Mas o impacto vai além do comércio bilateral. O grande motor de sustentação do dólar global continua sendo a surpreendente resiliência do mercado de trabalho e do consumo nos Estados Unidos.

Dados recentes mostraram que os pedidos semanais de auxílio-desemprego no país ficaram em 208 mil, abaixo das projeções de 217 mil, enquanto o varejo avançou conforme o esperado. Essa combinação força o Federal Reserve, o banco central americano, a manter os juros elevados por mais tempo, atraindo capital para os títulos do Tesouro dos EUA e esvaziando mercados emergentes como o Brasil.

Como isso afeta a Bolsa brasileira e as commodities

Pressionada por essa fuga de capitais, a Bolsa brasileira acompanhou o mau humor do exterior. O Ibovespa recuou 1,24%, encerrando o dia aos 173.825,27 pontos. Grandes companhias exportadoras e produtoras de commodities sofreram perdas significativas em uma sessão marcada pela aversão geral ao risco.

O petróleo também não escapou da volatilidade. Mesmo sob a sombra de novos conflitos no Oriente Médio, com ameaças do grupo houthi a refinarias na Arábia Saudita e riscos de navegação no Mar Vermelho, o barril do tipo Brent caiu 0,85%, fechando a US$ 84,23.

Essa desvalorização das commodities acabou puxando para baixo as ações da Petrobras e de grandes mineradoras, que possuem peso crucial na dinâmica do principal índice da nossa Bolsa.

O que pode acontecer a partir de agora

No horizonte de curto prazo, o mercado monitora de perto como o governo brasileiro reagirá ao tarifaço norte-americano. Há forte expectativa sobre o uso de mecanismos amparados pela chamada Lei da Reciprocidade, o que poderia elevar ainda mais a temperatura comercial entre os dois países.

E é aqui que está o ponto central: sem uma sinalização clara sobre os juros americanos e com o tabuleiro geopolítico instável, o câmbio deve seguir operando sob forte estresse, exigindo cautela redobrada de investidores e importadores nas próximas semanas.

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