Movimentação do dólar comercial reflete tensões tarifárias entre Brasil e Estados Unidos.
(Imagem: Valter Campanato/Agência Brasil)
A combinação de novas barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos e a inesperada força da economia americana voltou a pressionar o mercado financeiro brasileiro nesta quinta-feira. O dólar comercial registrou alta de 0,40% e fechou cotado a R$ 5,098, após flertar com a marca de R$ 5,11 ao longo da tarde.
Essa escalada acendeu o sinal de alerta entre os investidores, que agora recalculam os rumos do comércio exterior. O movimento coincide com a confirmação de uma alíquota de 25% sobre parte dos produtos que o Brasil exporta para o mercado norte-americano.
Na prática, o mercado tenta absorver os impactos reais dessa medida protecionista. Embora itens de peso como petróleo, carne, café e aeronaves tenham ficado fora do pacote de tarifas, a tensão sobre as cadeias produtivas globais continua ditando o ritmo dos negócios.
O que está por trás da força do dólar no cenário global
Mas o impacto vai além do comércio bilateral. O grande motor de sustentação do dólar global continua sendo a surpreendente resiliência do mercado de trabalho e do consumo nos Estados Unidos.
Dados recentes mostraram que os pedidos semanais de auxílio-desemprego no país ficaram em 208 mil, abaixo das projeções de 217 mil, enquanto o varejo avançou conforme o esperado. Essa combinação força o Federal Reserve, o banco central americano, a manter os juros elevados por mais tempo, atraindo capital para os títulos do Tesouro dos EUA e esvaziando mercados emergentes como o Brasil.
Como isso afeta a Bolsa brasileira e as commodities
Pressionada por essa fuga de capitais, a Bolsa brasileira acompanhou o mau humor do exterior. O Ibovespa recuou 1,24%, encerrando o dia aos 173.825,27 pontos. Grandes companhias exportadoras e produtoras de commodities sofreram perdas significativas em uma sessão marcada pela aversão geral ao risco.
O petróleo também não escapou da volatilidade. Mesmo sob a sombra de novos conflitos no Oriente Médio, com ameaças do grupo houthi a refinarias na Arábia Saudita e riscos de navegação no Mar Vermelho, o barril do tipo Brent caiu 0,85%, fechando a US$ 84,23.
Essa desvalorização das commodities acabou puxando para baixo as ações da Petrobras e de grandes mineradoras, que possuem peso crucial na dinâmica do principal índice da nossa Bolsa.
O que pode acontecer a partir de agora
No horizonte de curto prazo, o mercado monitora de perto como o governo brasileiro reagirá ao tarifaço norte-americano. Há forte expectativa sobre o uso de mecanismos amparados pela chamada Lei da Reciprocidade, o que poderia elevar ainda mais a temperatura comercial entre os dois países.
E é aqui que está o ponto central: sem uma sinalização clara sobre os juros americanos e com o tabuleiro geopolítico instável, o câmbio deve seguir operando sob forte estresse, exigindo cautela redobrada de investidores e importadores nas próximas semanas.