Usinas termelétricas podem ser acionadas em sua totalidade para garantir segurança do sistema elétrico nacional
(Imagem: gerado por IA)
Os efeitos severos do Super El Niño estão prestes a se refletir no custo de vida dos brasileiros. O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) emitiu um alerta formal sobre a possibilidade de acionar a totalidade do parque de usinas termelétricas do país já a partir de setembro.
Na prática, a medida visa blindar o sistema contra o aumento repentino no consumo de eletricidade provocado pelas temperaturas recordes, associado à escassez de chuvas em regiões estratégicas para as hidrelétricas.
Esse monitoramento rigoroso ocorre em um momento crítico de transição climática, em que o calor extremo exige uma resposta rápida do setor de infraestrutura para evitar falhas no abastecimento nacional.
O que está por trás do alerta do ONS
O grande fator de preocupação é o prolongamento do fenômeno Super El Niño, cujas projeções de impacto se estendem até fevereiro de 2027. Embora o Sul continue registrando chuvas abundantes, as principais bacias hidrográficas das regiões Sudeste, Centro-Oeste e Norte enfrentam uma realidade bem menos favorável.
De acordo com o diretor-geral do ONS, Marcio Rea, o órgão acompanha de perto essa fase de transição entre os períodos seco e úmido. A estratégia é reavaliar as recomendações mensalmente junto ao Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) para adotar as salvaguardas operativas necessárias.
Como isso afeta o bolso do consumidor e o sistema
O impacto prático dessa decisão vai muito além da segurança técnica. A ativação em massa de usinas térmicas, que funcionam à base de combustíveis fósseis, encarece drasticamente a geração de energia elétrica no país.
Esse encarecimento costuma ser repassado diretamente às faturas residenciais e industriais por meio de bandeiras tarifárias mais caras. Na prática, isso muda mais do que parece, podendo pressionar a inflação e o custo de produção de diversos setores da economia nacional.
E é aqui que está o ponto central: os modelos matemáticos do operador apontam que, no pior cenário, o volume de água armazenado nos reservatórios do Sudeste e Centro-Oeste pode despencar para patamares 13,7 pontos percentuais abaixo dos registrados no mesmo período anterior.
O que pode acontecer a partir de agora
No cenário mais otimista, caso as chuvas surpreendam positivamente nas cabeceiras dos rios, o nível dos reservatórios nacionais terminaria o primeiro bimestre de 2027 com folga confortável. No entanto, o planejamento do setor elétrico não pode contar com a sorte e precisa se preparar para a escassez.
Com as afluências em todo o Sistema Interligado Nacional (SIN) oscilando entre uma variação drástica de 80% a 111% da média histórica, o acionamento preventivo de termelétricas surge como uma barreira indispensável de segurança.
Diante desse cabo de guerra entre o clima extremo e a segurança energética, o consumidor final deve se preparar para um período de maior vigilância sobre o próprio consumo. O avanço dos próximos meses ditará se o país passará por mais um ciclo de tarifas pressionadas ou se a natureza dará uma trégua antes do esperado.