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Sex, 11 de Setembro
Economia

Super El Niño liga alerta máximo e ONS estuda acionar todas as termelétricas a partir de setembro

O avanço do Super El Niño acendeu o sinal de alerta no setor elétrico. O ONS já prevê o acionamento total de usinas térmicas para evitar riscos.

05 set 2026 - 14h11 Joice Gomes
Super El Niño liga alerta máximo e ONS estuda acionar todas as termelétricas a partir de setembro Usinas termelétricas podem ser acionadas em sua totalidade para garantir segurança do sistema elétrico nacional (Imagem: gerado por IA)

Os efeitos severos do Super El Niño estão prestes a se refletir no custo de vida dos brasileiros. O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) emitiu um alerta formal sobre a possibilidade de acionar a totalidade do parque de usinas termelétricas do país já a partir de setembro.

Na prática, a medida visa blindar o sistema contra o aumento repentino no consumo de eletricidade provocado pelas temperaturas recordes, associado à escassez de chuvas em regiões estratégicas para as hidrelétricas.

Esse monitoramento rigoroso ocorre em um momento crítico de transição climática, em que o calor extremo exige uma resposta rápida do setor de infraestrutura para evitar falhas no abastecimento nacional.

O que está por trás do alerta do ONS

O grande fator de preocupação é o prolongamento do fenômeno Super El Niño, cujas projeções de impacto se estendem até fevereiro de 2027. Embora o Sul continue registrando chuvas abundantes, as principais bacias hidrográficas das regiões Sudeste, Centro-Oeste e Norte enfrentam uma realidade bem menos favorável.

De acordo com o diretor-geral do ONS, Marcio Rea, o órgão acompanha de perto essa fase de transição entre os períodos seco e úmido. A estratégia é reavaliar as recomendações mensalmente junto ao Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) para adotar as salvaguardas operativas necessárias.

Como isso afeta o bolso do consumidor e o sistema

O impacto prático dessa decisão vai muito além da segurança técnica. A ativação em massa de usinas térmicas, que funcionam à base de combustíveis fósseis, encarece drasticamente a geração de energia elétrica no país.

Esse encarecimento costuma ser repassado diretamente às faturas residenciais e industriais por meio de bandeiras tarifárias mais caras. Na prática, isso muda mais do que parece, podendo pressionar a inflação e o custo de produção de diversos setores da economia nacional.

E é aqui que está o ponto central: os modelos matemáticos do operador apontam que, no pior cenário, o volume de água armazenado nos reservatórios do Sudeste e Centro-Oeste pode despencar para patamares 13,7 pontos percentuais abaixo dos registrados no mesmo período anterior.

O que pode acontecer a partir de agora

No cenário mais otimista, caso as chuvas surpreendam positivamente nas cabeceiras dos rios, o nível dos reservatórios nacionais terminaria o primeiro bimestre de 2027 com folga confortável. No entanto, o planejamento do setor elétrico não pode contar com a sorte e precisa se preparar para a escassez.

Com as afluências em todo o Sistema Interligado Nacional (SIN) oscilando entre uma variação drástica de 80% a 111% da média histórica, o acionamento preventivo de termelétricas surge como uma barreira indispensável de segurança.

Diante desse cabo de guerra entre o clima extremo e a segurança energética, o consumidor final deve se preparar para um período de maior vigilância sobre o próprio consumo. O avanço dos próximos meses ditará se o país passará por mais um ciclo de tarifas pressionadas ou se a natureza dará uma trégua antes do esperado.

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