Glaidson Acácio dos Santos, conhecido como o Faraó dos Bitcoins, em depoimento à Justiça Federal.
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O empresário Glaidson Acácio dos Santos, amplamente conhecido como o "Faraó dos Bitcoins", confessou em depoimento inédito à Justiça Federal que atuava como uma "baleia" no mercado de criptomoedas e manipulava diretamente o preço dos ativos digitais para maximizar lucros.
A revelação detalha os bastidores de um esquema financeiro colossal operado pela GAS Consultoria, que movimentou mais de R$ 38 bilhões e deixou um rastro de pelo menos 77 mil vítimas no Brasil e no exterior.
Na prática, as novas declarações expõem a fragilidade de um mercado que muitos investidores acreditavam ser seguro, evidenciando como grandes detentores de ativos conseguiam ditar os rumos das cotações de forma coordenada.
Como funcionava a manipulação de mercado
Durante o depoimento, obtido originalmente pelo programa Fantástico, Glaidson explicou com naturalidade como combinava ações com outros grandes investidores para induzir oscilações artificiais de preços.
"Como baleia, eu consigo manipular outras criptomoedas. Eu entro em contato com outras baleias e combinamos de apostar na queda para derreter o preço", admitiu o réu, exemplificando a volatilidade provocada intencionalmente.
Enquanto o mercado despencava de forma controlada por esse grupo, investidores comuns entravam em pânico e vendiam seus ativos com prejuízo, gerando lucros massivos para a organização criminosa.
O transporte físico de malas de dinheiro
A logística da GAS Consultoria, sediada em Cabo Frio (RJ), misturava tecnologia de ponta com métodos clássicos de lavagem de dinheiro, incluindo o uso de aeronaves para o transporte de valores em espécie.
Segundo Glaidson, malotes de dinheiro de clientes eram transportados de helicóptero até São Paulo, onde intermediários convertiam os valores físicos em criptoativos diretamente para as carteiras digitais da empresa.
Esse fluxo constante de depósitos alimentava a promessa de rendimentos muito acima da média de mercado, atraindo desde pequenos poupadores que contraíam empréstimos até celebridades e jogadores de futebol.
O papel de Mirelis e a rota de fuga internacional
A esposa de Glaidson, Mirelis Yoseline Diaz Zerpa, que também responde ao processo, negou em juízo envolvimento na administração direta dos clientes, alegando que sua função limitava-se ao estudo técnico e operações de trading.
Mirelis, que fugiu para os Estados Unidos logo após a prisão do marido em 2021, acabou detida pela imigração norte-americana em Chicago após três anos foragida e foi deportada para o Brasil.
Investigações apontam que, durante o período em que esteve na Flórida, cerca de R$ 1 bilhão em bitcoins foi sacado de contas ligadas ao esquema, embora a defesa alegue que os valores serviram para ressarcir credores.
O mistério da carteira digital bilionária
A chave para o pagamento das 77 mil vítimas, que cobram quase R$ 3 bilhões em ressarcimentos judiciais, permanece trancada em um dispositivo físico de armazenamento conhecido como "cold wallet", atualmente apreendido pela Polícia Federal.
Glaidson se recusa a fornecer a senha de acesso ao cofre digital sob a alegação de que a revelação colocaria sua integridade física em risco dentro do sistema prisional, onde também aguarda julgamento por acusação de homicídio.
A defesa do casal sustenta a inocência de ambos e argumenta que a interrupção dos pagamentos foi provocada pelo bloqueio judicial das contas da empresa, prometendo que há patrimônio suficiente para quitar as pendências assim que os ativos forem liberados.