Painel de cotações financeiras reflete o dia de ganhos na bolsa de valores sob impacto do mercado de commodities.
(Imagem: gerado por IA)
A escalada das tensões geopolíticas no Oriente Médio provocou um forte solavanco no mercado de energia global e acabou beneficiando diretamente os ativos financeiros no Brasil. Em um dia de forte volatilidade, o principal índice da bolsa brasileira, o Ibovespa, registrou alta de 1,3% e fechou aos 179.722,48 pontos, atingindo o seu maior patamar desde maio.
Acompanhando o otimismo doméstico, o dólar comercial registrou queda de 0,54% e encerrou as negociações cotado a R$ 5,153. Na prática, a busca global por commodities pesou mais do que os receios sobre a perda de ritmo da atividade interna após a divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre.
Mas o impacto vai muito além de uma simples oscilação diária. A valorização expressiva do petróleo tipo Brent, referência internacional que disparou 4,6% para US$ 94,65 o barril, acabou reconfigurando as expectativas dos investidores e atraindo capital para o mercado brasileiro.
O que está por trás do rali do petróleo e das petroleiras
O principal motor dessa reviravolta foi o anúncio de novos ataques norte-americanos contra alvos no Irã, gerando temores de interrupções no fornecimento global através do Estreito de Ormuz. Sob essa pressão, as ações da Petrobras, que possuem enorme peso no Ibovespa, dispararam: os papéis preferenciais subiram 4,11%, enquanto os ordinários avançaram 4,14%.
A companhia também contribuiu para o cenário aquecido ao anunciar um reajuste de 13,9% no preço médio de venda do querosene de aviação (QAV). Além disso, dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP) revelaram que a produção nacional de óleo alcançou o recorde de 4,5 milhões de barris diários em julho, consolidando o potencial exportador do país.
Como a desaceleração do PIB afeta os juros no Brasil
Pela manhã, o mercado parecia desenhar uma trajetória diferente. O dólar chegou a subir para R$ 5,20 logo após a divulgação de que o PIB cresceu 0,5% no segundo trimestre, mostrando perda de fôlego em comparação com a alta de 1,1% registrada nos três meses anteriores.
Essa desaceleração econômica reforçou as apostas de que o Banco Central manterá o ciclo de cortes na taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 14% ao ano. Em tese, juros menores reduzem a rentabilidade da renda fixa para o capital externo, o que explicou o nervosismo inicial das mesas de operação.
No entanto, a atratividade do setor de óleo e gás falou mais alto durante a tarde, provocando uma reversão completa no fluxo de divisas. O movimento brasileiro destoou drasticamente de Wall Street, onde o índice S&P 500 caiu 0,71% devido à pressão nos títulos do Tesouro americano.
O que pode acontecer a partir de agora
E é aqui que está o ponto central para os próximos meses: o delicado equilíbrio entre a política monetária nacional e a duração das tensões geopolíticas. Se o conflito externo continuar pressionando o preço do barril, as empresas exportadoras brasileiras devem continuar atuando como âncoras para a bolsa.
Por outro lado, o ritmo de saída de capital estrangeiro acende um sinal de alerta para o mercado interno. Somente em agosto, o saldo negativo de investimentos externos na bolsa superou a marca de R$ 18 bilhões, provando que, apesar do recorde recente do Ibovespa, a cautela global ainda dita o tom das grandes decisões financeiras.