O Pix consolidou se como o principal motor da inclusão financeira no Brasil, atraindo agora o interesse de mercados internacionais.
(Imagem: Bruno Peres/Agência Brasil)
O Pix consolidou de vez sua soberania no cotidiano dos brasileiros ao registrar a impressionante marca de 318.073.816 transações liquidadas em um único dia. O novo recorde diário, alcançado na última sexta-feira, movimentou R$ 186,89 milhões, com um tíquete médio de R$ 587,58 por operação, evidenciando como a ferramenta se tornou indispensável para a engrenagem econômica do país.
O resultado supera o marco anterior de 5 de dezembro do ano passado, quando o Banco Central contabilizou pouco mais de 313,3 milhões de transferências instantâneas. Mas, por trás desse sucesso doméstico incontestável, o Pix acabou entrando no centro de uma complexa disputa geopolítica global que pode ditar os rumos do comércio exterior brasileiro.
Na prática, isso muda mais do que parece. O sistema de pagamentos caiu recentemente na mira do governo norte-americano sob a gestão de Donald Trump, sendo utilizado pela Casa Branca como uma das justificativas para a imposição de uma sobretaxa de 25% sobre as exportações do Brasil.
Como o Pix virou alvo na disputa comercial com os EUA
A alegação de Washington é de que o Pix prejudica as empresas americanas de cartões e soluções financeiras, uma vez que o sistema é operado e regulado diretamente pelo governo do Brasil de forma gratuita. O argumento, contudo, é visto no cenário interno como um pretexto protecionista para justificar barreiras alfandegárias de forma unilateral.
Em resposta direta a essas pressões, o presidente do Banco Central brasileiro, Gabriel Galípolo, rechaçou as acusações e garantiu a soberania da tecnologia. Galípolo ressaltou que os questionamentos externos tentam criar uma narrativa para viabilizar tarifas e assegurou que o BC continuará fornecendo a plataforma como um serviço gratuito, seguro e instantâneo.
O que está por trás da expansão global do Pix
Mas o impacto vai muito além das fronteiras nacionais ou das tensões bilaterais. Enquanto enfrenta barreiras na América do Norte, a tecnologia brasileira acumula elogios de órgãos de peso como o Fundo Monetário Internacional (FMI), que destacou em relatório o papel crucial do Pix na democratização bancária e na concorrência de mercado, sem comprometer a estabilidade do setor financeiro.
E é aqui que está o ponto central de antecipação para o futuro próximo: a internacionalização. O Banco Central brasileiro já participa ativamente de discussões para interligar o Pix ao TIPS, o sistema de pagamentos instantâneos da União Europeia, um processo que se encontra em estágio inicial de avaliação técnica, legal e de segurança operacional.
Além do interesse europeu, a China também manifestou a intenção de integrar seus sistemas nacionais à tecnologia brasileira. Esse avanço caminha em paralelo com a inserção do Brasil em consórcios globais multilaterais, como o projeto Nexus, liderado pelo Banco de Compensações Internacionais (BIS), o que projeta um cenário onde transferências internacionais rápidas e baratas deixarão de ser uma promessa distante para se tornarem realidade diária.