Gráficos financeiros registram comportamento das ações sob influência externa e interna.
(Imagem: Canva)
O mercado financeiro voltou a monitorar com atenção os desdobramentos da guerra comercial promovida por Washington. A aplicação do tarifaço dos EUA, que impõe uma alíquota adicional de 25% sobre uma série de produtos exportados pelo Brasil, entra em vigor nesta quarta-feira (22). A decisão foi fundamentada em investigações conduzidas pelo Escritório de Representação Comercial (USTR) com base na Lei do Comércio do país norte-americano.
A medida não substitui os tributos aduaneiros que já estavam em vigor, somando-se diretamente a eles. Na prática, um item brasileiro que sofria a incidência de 5% de imposto de importação ao desembarcar em solo americano passará a ser taxado em 30%. A elevação encarece o custo final das mercadorias, encarrega os importadores e reduz o poder de disputa das companhias nacionais.
Setores da bolsa sob pressão e o foco nas exportadoras de proteína
Apesar da medida gerar ruído nas negociações, analistas de mercado ressaltam que ainda é cedo para mensurar perdas definitivas na Bolsa de Valores. O foco principal dos investidores recai sobre companhias que possuem forte dependência das vendas para o mercado consumidor norte-americano.
| Setor Afetado | Principais Empresas | Possíveis Impactos Diretos |
| Frigoríficos | JBS, Marfrig e Minerva |
Redução de margem de lucro com queda projetada nas vendas de carne para os EUA. |
| Exportadores Gerais | Empresas de manufaturados |
Perda de competitividade com produtos mais caros para o cliente americano. |
Economistas apontam que a sobretaxa também cria um dilema para os próprios norte-americanos, já que encarece produtos básicos para a sua população e pode pressionar a inflação local. Além disso, anúncios agressivos desse tipo costumam ser utilizados historicamente por Washington como peça inicial para forçar negociações bilaterais futuras.
Inflação e juros continuam ditando o ritmo do mercado
Mesmo com o anúncio do tarifaço dos EUA, indicadores como o dólar e o mercado de juros futuros demonstraram estabilidade recente no cenário doméstico. Em vez da corrida esperada por moedas fortes, o real manteve trajetória firme, impulsionado pela divulgação de dados de inflação mais comportados tanto no Brasil quanto nos EUA.
Com os índices de preços sob controle, ganha força a perspectiva de juros mais baixos pelo Federal Reserve e pelo Banco Central do Brasil, amortecendo a aversão global ao risco. Aliado a isso, o Brasil diversificou sua carteira de parceiros comerciais nos últimos anos, reduzindo a dependência isolada da economia americana. Para os investidores, especialistas recomendam cautela, mantendo a carteira diversificada entre renda fixa, renda variável e ativos internacionais em vez de realizar movimentações bruscas.