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Sex, 11 de Setembro
Tarifaço

Como o tarifaço dos EUA poupou 62% das exportações do Brasil

A nova taxa de 25% aplicada pelos EUA poupou 62% das exportações brasileiras após intensa pressão diplomática e comercial. Descubra os setores beneficiados.

17 jul 2026 - 08h45 Joice Gomes   atualizado às 08h47
Tarifaço de Trump derruba exportações para os EUA em 16%, mas diversificação compensa perdas Tarifaço de Trump derruba exportações para os EUA em 16%, mas diversificação compensa perdas. (Imagem: gerado por IA)

O mercado exportador brasileiro vive dias de forte tensão e alívio estratégico após a confirmação de que os Estados Unidos vão aplicar uma barreira tarifária de 25% sobre diversos produtos nacionais a partir de 22 de março. Apesar do impacto bilionário projetado pela Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil), que estima perdas potenciais de até 11 bilhões de dólares, uma lista com mais de 2.100 exceções garantiu que 62% das vendas brasileiras ao mercado norte-americano ficassem completamente livres da sobretaxa.

Esse escudo protetor para a maioria das nossas exportações foi fruto de uma mobilização rápida e técnica do setor produtivo brasileiro em Washington. Representantes de diversas cadeias industriais e do agronegócio participaram de audiências decisivas perante o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), apresentando dados que comprovavam que punir o Brasil traria consequências diretas e dolorosas ao próprio consumidor e à indústria americana.

Na prática, essa divisão entre os setores que conseguiram escapar e os que foram penalizados desenha um novo mapa para o comércio exterior do país. E é aqui que está o ponto central: para evitar o desabastecimento e a inflação interna, o governo norte-americano cedeu em frentes onde a dependência do produto brasileiro é quase absoluta.

O que muda na prática para os setores que escaparam do imposto

O agronegócio respira aliviado com a manutenção da isenção sobre produtos consolidados, como carne bovina e suco de laranja, mas as grandes vitórias desta rodada de negociações vieram de segmentos de nicho e de valor agregado, como o café solúvel e o mel orgânico. No caso do café solúvel, que responde por quase 10% das exportações cafeeiras do Brasil para os EUA, gerando cerca de 220 milhões de dólares anuais, a sobretaxa de 25% representava uma ameaça existencial. O setor uniu forças com a National Coffee Association americana para demonstrar que as próprias torrefadoras e distribuidoras locais seriam inviabilizadas, uma vez que a produção interna dos EUA atende a apenas 6% da sua demanda por essa variedade.

Outro destaque foi o mel orgânico brasileiro, líder global de fornecimento. Com embarques anuais na casa dos 75 milhões de dólares, dos quais 90% são da versão orgânica, a cadeia produtiva provou que os importadores americanos simplesmente não teriam de onde comprar o produto caso o Brasil fosse sobretaxado. O argumento de que a barreira geraria um aumento imediato de preços nas prateleiras dos supermercados pesou na decisão de Washington, que teme o impacto político da inflação de alimentos.

Quais setores enfrentam perdas bilionárias e perda de competitividade

Mas o impacto vai além dos setores beneficiados. Se o agronegócio e parte da indústria de alimentos celebram o alívio temporário, os fabricantes de calçados, confecções, máquinas industriais e biocombustíveis já contabilizam os prejuízos e o risco real de demissões. A Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), por exemplo, projeta uma retração imediata de 7,1% nas vendas para o mercado americano até o fim do ano, apontando que a medida desorganiza cadeias produtivas globais que dependem da integração entre os dois países.

O setor de máquinas e equipamentos, cujas exportações para os EUA somaram 3,2 bilhões de dólares no último ano, também prevê uma freada brusca nos investimentos. Representantes da indústria de base florestal, que exporta celulose solúvel, painéis de madeira e pisos laminados, alertam que a sobretaxa chega em um momento de fragilidade das vendas e cobram uma reação diplomática mais contundente do governo brasileiro para restabelecer o equilíbrio das negociações.

O que pode acontecer a partir de agora no cenário comercial

O desfecho dessa disputa tarifária deixa claro que o protecionismo americano continuará a testar a resiliência da economia brasileira nos próximos anos. Enquanto os setores protegidos pelas exceções ganham fôlego para consolidar sua presença no maior mercado do mundo, as indústrias manufatureiras terão de acelerar a busca por novos mercados ou absorver margens de lucro cada vez mais estreitas para não perder espaço para concorrentes asiáticos e latino-americanos. O diálogo bilateral continuará sendo a ferramenta mais eficaz para tentar reverter as punições vigentes e impedir que novas barreiras fechem as portas da maior economia do planeta para o Brasil.

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