Receita Federal recebe mais de 1 milhão de declarações do IRPF 2026 no primeiro dia.
(Imagem: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)
A abertura do prazo de entrega do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) 2026 começou com movimentação intensa dos contribuintes em todo o país. No primeiro dia de envio, mais de 1 milhão de declarações foram recebidas pela Receita Federal, indicando uma corrida antecipada para cumprir a obrigação fiscal anual.
O volume expressivo no início do calendário mostra que muitos contribuintes estão se organizando com antecedência para evitar congestionamentos perto do fim do prazo. A maior parte dos envios foi feita pelo programa para computador, mas o uso da declaração pré-preenchida e do aplicativo de celular cresce a cada ano, refletindo a digitalização dos serviços públicos.
Prazo de entrega e risco de multa
O período oficial de entrega do IRPF 2026 vai de 23 de março até 29 de maio, às 23h59, no horário de Brasília. Mesmo com mais de dois meses para declarar, a orientação é não deixar para os últimos dias, quando costumam aumentar os acessos simultâneos e a chance de erros de preenchimento.
Quem perder o prazo está sujeito à multa mínima, aplicada mesmo quando não há imposto a pagar. O valor cresce conforme o tempo de atraso e pode alcançar percentual significativo sobre o imposto devido, o que torna a organização prévia de documentos uma etapa fundamental para evitar prejuízos desnecessários.
Como os contribuintes estão declarando
No primeiro dia de entrega, a maioria dos contribuintes utilizou o programa da Receita para computador, enquanto uma parcela crescente optou pelo preenchimento on-line e pelo aplicativo Meu Imposto de Renda. Essa diversificação de canais facilita o acesso e permite que a declaração seja feita tanto em computadores quanto em dispositivos móveis.
Também chamou atenção o aumento do uso da declaração pré-preenchida, que importa automaticamente diversas informações já informadas por fontes pagadoras, instituições financeiras, planos de saúde e outros declarantes. Esse modelo reduz o trabalho manual, diminui a ocorrência de erros e, em muitos casos, dá prioridade ao contribuinte no pagamento das restituições.
Obrigatoriedade: quem precisa declarar em 2026
Em 2026, continuam obrigadas a declarar as pessoas físicas que ultrapassarem determinados limites de renda, patrimônio ou movimentação financeira ao longo de 2025. Entram nesse grupo contribuintes que tiveram rendimentos tributáveis acima do valor de corte estabelecido pela Receita para o ano-calendário, receberam rendas isentas ou tributadas exclusivamente na fonte acima de certos patamares ou realizaram operações em bolsa de valores.
Também precisam declarar aqueles que tinham, em 31 de dezembro de 2025, bens e direitos acima do limite definido, como imóveis, veículos e aplicações financeiras. Produtores rurais, pessoas com ganho de capital na venda de bens, investidores e quem pretende compensar prejuízos de anos anteriores devem ficar atentos às regras específicas para não ficarem em situação irregular.
Novidades e pontos de atenção no IRPF 2026
A declaração deste ano traz mudanças relevantes em relação a rendimentos que precisam ser informados com mais detalhes, incluindo ganhos em aplicações financeiras, operações em plataformas digitais e outras fontes de renda que ganharam peso recente no orçamento de muitos brasileiros. Algumas dessas modalidades passaram a ter campos específicos ou exigem atenção redobrada na classificação dos valores.
Outra frente de mudança está na forma de tratamento de contribuintes de baixa renda e em mecanismos voltados a reduzir distorções na cobrança do imposto. A combinação entre tabela atualizada, regras de isenção e novas ferramentas eletrônicas impacta diretamente o grupo de pessoas que continuará obrigado a declarar e o montante de imposto a pagar ou a restituir.
Restituição e prioridades no calendário
O calendário de restituições do IRPF 2026 foi organizado em lotes mensais, pagos ao longo do ano, com início logo após o fim do prazo de entrega. Contribuintes que enviam a declaração mais cedo, sem pendências e sem inconsistências, têm maior chance de receber a restituição nos primeiros lotes, principalmente se estiverem nos grupos prioritários.
Idosos, pessoas com deficiência física ou mental, portadores de doenças graves, profissionais cuja principal renda venha do magistério e usuários da declaração pré-preenchida costumam ter preferência na fila. A indicação correta de dados bancários, de preferência via Pix atrelado ao CPF, reduz problemas e evita atrasos no recebimento dos valores.
Como se organizar para evitar problemas
Montar um arquivo com todos os documentos necessários antes de iniciar o preenchimento da declaração é uma das principais recomendações. Isso inclui informes de rendimentos de salários, aposentadorias, pensões, bancos, corretoras, planos de saúde, escolas, recibos de médicos, dentistas e demais despesas que podem ser dedutíveis.
- Reunir, em um único local, todos os informes de rendimentos recebidos ao longo de 2025.
- Conferir se valores de salários, aposentadorias, aluguéis, investimentos e outras fontes batem com os documentos fornecidos pelas empresas e instituições financeiras.
- Avaliar com calma se é mais vantajoso optar pela declaração completa, com todas as deduções, ou pelo desconto simplificado.
- Utilizar a declaração pré-preenchida quando disponível, revisando cada informação antes do envio.
- Acompanhar, após o envio, o processamento da declaração pelos serviços digitais da Receita Federal, verificando eventuais pendências.
Ao conferir com atenção todas as informações e não deixar a entrega para a última hora, o contribuinte reduz as chances de cair na malha fina, evita multas e aumenta a possibilidade de receber a restituição mais rapidamente. Em um cenário de orçamento apertado para muitas famílias, planejar o Imposto de Renda com antecedência se torna parte importante da organização financeira do ano.