Olimpíada de Inverno 2026 em Milão-Cortina superou o orçamento previsto e lidou com atrasos em instalações chave, segundo o CEO Andrea Varnier.
(Imagem: Reprodução/gerado por IA)
As Olimpíadas de Inverno de Milão-Cortina, na Itália, iniciadas em 6 de fevereiro de 2026, destacam os efeitos das mudanças climáticas no esporte. Dados do Instituto Talanoa revelam que 85% da neve artificial será usada nas competições, uma tendência crescente desde Sochi 2014.
Para viabilizar as provas, os organizadores planejam produzir 2,4 milhões de metros cúbicos de neve artificial. Essa operação demanda 946 milhões de litros de água, equivalente a encher um terço do estádio do Maracanã como reservatório.
Produção depende de tecnologia avançada
Mais de 125 canhões de neve foram instalados em locais como Bormio e Livigno, apoiados por reservatórios em altitude. Esses equipamentos garantem pistas adequadas para esqui alpino, freestyle e snowboard, mesmo com invernos mais quentes e curtos.
A neve artificial exige condições específicas de temperatura e umidade, o que aumenta a complexidade logística. Nos Alpes, a incidência de neve natural caiu 34% nos últimos 100 anos, forçando essa dependência.
- Sochi 2014: 80% de neve produzida por máquinas.
- PyeongChang 2018: 98% de neve artificial nas competições.
- Pequim 2022: 100% das provas com neve fabricada.
Essa evolução mostra como o aquecimento global remodela eventos tradicionais. Criados em 1924 com abundância de neve natural, os Jogos agora não seriam possíveis sem intervenção humana.
Impactos ambientais da neve artificial
O consumo de água para neve artificial gera preocupações, especialmente em regiões montanhosas já pressionadas pela seca. Cada metro cúbico exige cerca de 400 litros, totalizando volumes comparáveis a centenas de piscinas olímpicas.
Além do esporte, a redução de neve natural afeta ecossistemas e economias locais. Rios dependem do derretimento gradual para vazão estável, e o turismo de montanha sofre com temporadas imprevisíveis.
Dados de satélite confirmam o gelo ártico abaixo da média histórica, com mínimas como 3,8 milhões de km² em 2012 e 12,45 milhões de km² em dezembro de 2025.
Redução de locais confiáveis para o futuro
Entre 1981 e 2010, 87 localidades eram climaticamente confiáveis para Jogos de Inverno. Projeções indicam queda para 52 até 2050 e 46 em 2080, mesmo com emissões moderadas.
A neve artificial mitiga riscos imediatos, mas cria superfícies menos previsíveis para atletas e eleva custos energéticos. Sedes históricas como Chamonix e Vancouver agora são classificadas como de alto risco.
Estudos alertam que, sem ações globais, o evento pode enfrentar inviabilidade em décadas. Isso impulsiona debates sobre sedes em altas latitudes ou adaptações radicais.
Consequências além das pistas
A neve artificial não só consome recursos, mas altera habitats adaptados ao frio, impactando flora, fauna e comunidades. Economias dependentes de inverno, como estações alpinas, buscam diversificação.
Os Jogos de Milão-Cortina exemplificam a urgência climática. Enquanto atletas competem, o evento serve como alerta para negociações internacionais sobre emissões.
No longo prazo, o Comitê Olímpico pode rever formatos, priorizando sustentabilidade. Projeções indicam necessidade de inovação para preservar a essência invernal do esporte.