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Meio Ambiente

Ibama multa Petrobras em R$ 2,5 milhões por vazamento de fluido na Foz do Amazonas

07 fev 2026 - 21h30 Joice Gomes   atualizado às 21h33
Ibama multa Petrobras em R$ 2,5 milhões por vazamento de fluido na Foz do Amazonas Detalhes da multa do Ibama à Petrobras pelo vazamento de 18,44 m³ de fluido na Foz do Amazonas. (Imagem: Petrobras/Divulgação)

O vazamento na Bacia da Foz do Amazonas gerou uma multa significativa do Ibama à Petrobras. O órgão ambiental aplicou R$ 2,5 milhões de penalidade pela liberação acidental de 18,44 metros cúbicos de fluido de perfuração no oceano.

O episódio ocorreu em 4 de janeiro de 2026, durante testes no Navio Sonda 42, posicionado a 175 km da costa amapaense. A perda do material aconteceu em linhas auxiliares ligadas ao poço Morpho, resultando na interrupção imediata das atividades de exploração.

Circunstâncias do vazamento

O fluido liberado, uma base oleosa não aquosa usada em perfurações, recebeu classificação de risco médio pelo Ibama. A autuação baseou-se na Instrução Normativa nº 14/2025 e na Lei de Crimes Ambientais, considerando o potencial impacto em ecossistemas marinhos.

O Centro Nacional de Emergências Ambientais e Climáticas identificou a irregularidade na Margem Equatorial, região de grande fragilidade ecológica. A Petrobras relatou o incidente voluntariamente e adotou medidas de contenção no momento da ocorrência.

A estatal contesta a gravidade, afirmando que o produto é biodegradável, de baixa toxicidade e cumpre normas ambientais internacionais. A empresa apresentou laudos técnicos comprovando ausência de persistência ou bioacumulação no ambiente marinho.

Medidas regulatórias imediatas

A ANP exigiu a troca completa de selos nas juntas do riser de perfuração como condição para liberação. A Petrobras precisa comprovar a instalação em até cinco dias úteis, além de outros ajustes de segurança nos equipamentos.

O prazo para defesa administrativa contra a multa é de 20 dias úteis. A companhia sinalizou que avaliará todas as vias legais para contestar o valor e a classificação do vazamento, com base em análises técnicas próprias.

Histórico da região inclui incidentes passados, como o de 2011 no bloco FZA-4, que levou à suspensão de atividades. Esses eventos reforçam a necessidade de protocolos rigorosos em áreas de alta sensibilidade ambiental.

Exploração na Margem Equatorial

O poço Morpho, no bloco FZA-M-59, integra compromissos mínimos de perfuração para manter direitos exploratórios. A bacia promete reservas expressivas, mas enfrenta escrutínio por seus 18 impactos ambientais negativos identificados pelo Ibama.

Entre os riscos estão alterações em rotas migratórias de mamíferos aquáticos e perturbações a tartarugas marinhas. Correntes fortes na foz do Amazonas podem dispersar contaminantes rapidamente, ampliando áreas de influência ecológica.

  • Vazamento envolveu aproximadamente 18 mil litros de fluido sintético biodegradável.
  • Paralisação total desde 6 de janeiro, com NS-42 inoperante na área.
  • Multa de risco médio aplicada pelo Ceneac/Dipro do Ibama.
  • Presença de cinco espécies de tartarugas marinhas na zona afetada.
  • Petrobras defende conformidade total com fichas de segurança do produto.
  • ANP monitora cumprimento de exigências técnicas para reinício.

Efeitos ambientais e econômicos

Ocorreu dispersão superficial sem formação de manchas visíveis, segundo monitoramento aéreo da Petrobras. No entanto, sedimentos bentônicos podem reter resíduos, afetando cadeias alimentares locais a médio prazo.

Economicamente, a Margem Equatorial representa oportunidade de autossuficiência energética prolongada. Descobertas confirmadas poderiam adicionar bilhões de barris às reservas nacionais, impactando positivamente balança comercial e investimentos.

Reguladores intensificam fiscalização após o vazamento, com possibilidade de auditorias independentes. Organizações ambientais demandam transparência nos laudos e estudos de dispersão hidrodinâmica.

Futuramente, o caso servirá de precedente para licenças na região. Equilíbrio entre inovação tecnológica em perfuração e salvaguarda ambiental definirá ritmo das operações offshore na Foz do Amazonas.

A comunidade científica aguarda dados independentes sobre concentrações residuais no ambiente. Resultados influenciarão políticas públicas para toda a costa norte brasileira, berço do maior rio do planeta.

Enquanto isso, a Petrobras reforça treinamentos e atualiza protocolos de emergência. O incidente destaca vulnerabilidades inerentes à exploração em profundidades extremas e correntes oceânicas intensas.

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