A morte cerebral de Rodrigo Castanheira, adolescente agredido em briga no DF, ocorreu após 16 dias de internação.
(Imagem: Família Rodrigo Castanheira)
O adolescente Rodrigo Helbingen Fleury Castanheira, de 16 anos, teve morte cerebral confirmada na manhã deste sábado (7) após 16 dias internado no Hospital Brasília, em Águas Claras, no Distrito Federal.
A tragédia ocorreu em decorrência de agressões sofridas na madrugada de 23 de janeiro, durante uma briga na entrada de um condomínio em Vicente Pires. A vítima sofreu traumatismo craniano grave, queda com batida na cabeça e uma parada cardiorrespiratória de cerca de 12 minutos.
O agressor, Pedro Arthur Turra Basso, de 19 anos, ex-piloto de Fórmula Delta, foi identificado como o principal responsável pelo espancamento. Inicialmente preso em flagrante, ele foi liberado mediante fiança de R$ 24 mil, mas voltou à prisão preventiva em 30 de janeiro.
Motivação da briga ainda em investigação
A princípio, relatos apontavam que a confusão começou por um motivo fútil: o lançamento de um chiclete pela vítima em direção a um amigo de Turra. No entanto, investigações recentes da Polícia Civil do DF revelam uma possível motivação mais complexa.
De acordo com apurações, Rodrigo teria se aproximado, via redes sociais, de uma ex-namorada de um amigo do piloto. Esse amigo, incomodado, teria pedido a Turra para "dar um susto" no adolescente, o que escalou para agressão física.
O advogado da família da vítima, Albert Halex, tem defendido essa versão em entrevistas, destacando ciúmes como fator central, em vez do incidente isolado com o chiclete.
Histórico de agressões do agressor
A prisão preventiva de Pedro Turra foi decretada após a polícia apresentar provas de envolvimento em outros episódios de violência. Em um deles, ele usou um taser contra uma adolescente de 17 anos para forçá-la a consumir bebida alcoólica em uma festa.
Atualmente, Turra cumpre pena em cela individual no Complexo da Papuda, em Brasília, alegando receio por sua segurança devido à repercussão do caso. Na quinta-feira (5), o presidente do STJ, ministro Herman Benjamin, negou habeas corpus pedido pela defesa.
A defesa argumentou residência fixa, colaboração com as investigações e ausência de risco de fuga, mas contestou a prisão baseada em vídeos virais sem contraditório judicial. A família do piloto divulgou nota lamentando a morte de Rodrigo e prestando condolências.
Repercussão e homenagens à vítima
O Colégio Vitória Régia, onde Rodrigo estudava, emitiu nota nas redes sociais confirmando a morte e destacando as marcas de afeto deixadas pelo jovem. O Grupo Escoteiro Águas Claras também lamentou a perda de um ex-membro ativo.
Familiares, como o tio da vítima, expressaram dor profunda, descrevendo Rodrigo como "uma pessoa maravilhosa" cuja vida foi interrompida por uma briga banal. A vice-governadora do DF, Celina Leão, comentou que a partida precoce fere toda a sociedade.
- Rodrigo Castanheira entrou em coma induzido logo após a agressão em 23 de janeiro.
- Pedro Turra, 19 anos, competia na Fórmula Delta antes do incidente.
- Investigação policial aponta ciúmes como possível gatilho principal da briga.
- Vítima era estudante do Colégio Vitória Régia e membro de grupo escoteiro.
- Com a morte, Turra pode responder por homicídio qualificado em vez de lesão corporal.
Impactos judiciais e sociais do caso
A confirmação da morte cerebral altera o enquadramento jurídico: o que era lesão corporal grave pode se transformar em homicídio. Isso agrava a situação de Turra, que permanece detido preventivamente enquanto o inquérito prossegue.
O caso ganhou repercussão nacional, reacendendo debates sobre violência juvenil, impulsividade em brigas de rua e responsabilidades em redes sociais. Autoridades do DF monitoram o processo para garantir justiça célere.
Famílias e comunidades escolar e escoteira lidam com o luto, enquanto investigações buscam esclarecer todos os envolvidos. A tragédia serve como alerta para os riscos de desentendimentos que escalam para consequências irreversíveis.
Especialistas em direito penal destacam que a prisão preventiva visa preservar a instrução processual e evitar reiteração delitiva, especialmente diante do histórico de Turra. O Ministério Público deve se manifestar nos próximos dias sobre a qualificação do crime.
Enquanto isso, amigos e parentes de Rodrigo organizam tributos, reforçando a memória de um jovem dedicado aos estudos e atividades coletivas. O episódio expõe vulnerabilidades da juventude em ambientes festivos e a importância de mediação de conflitos.