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Saúde

São Paulo registra 12ª morte por intoxicação por metanol e acende alerta sobre consumo de bebidas clandestinas

05 fev 2026 - 10h34 Joice Gomes   atualizado às 10h37
São Paulo registra 12ª morte por intoxicação por metanol e acende alerta sobre consumo de bebidas clandestinas O estado de São Paulo confirmou a 12ª morte por intoxicação por metanol, ampliando o alerta sobre riscos de consumo de bebidas clandestinas. (Imagem: Governo de SP)

O estado de São Paulo confirmou a 12ª morte por intoxicação por metanol, ampliando o alerta de autoridades de saúde para os riscos do consumo de bebidas adulteradas e de origem desconhecida . A vítima mais recente é um homem de 26 anos, morador de Mauá, na região metropolitana, que não resistiu após quadro grave compatível com envenenamento pela substância tóxica . O caso se soma a uma série de óbitos suspeitos e confirmados, em diferentes cidades paulistas, e reacende o debate sobre fiscalização, responsabilização de fabricantes clandestinos e formas de proteção da população. Diante do cenário, especialistas reforçam que evitar o consumo de produtos sem procedência clara é hoje uma das principais formas de prevenção.

Como o avanço desses registros vem preocupando a pasta da saúde e órgãos de vigilância, a expressão intoxicação por metanol passou a frequentar cada vez mais comunicados oficiais e alertas à população. A substância, muitas vezes usada de forma criminosa na adulteração de bebidas alcoólicas, pode causar danos severos e irreversíveis em poucas horas. Com a confirmação da 12ª morte, o estado entra em um patamar de atenção redobrada, e o tema ganha relevância nacional por evidenciar a vulnerabilidade de quem recorre a bebidas mais baratas e informais. A orientação é clara: em caso de qualquer sintoma após ingestão de bebida suspeita, a busca por atendimento médico imediato é essencial.

Mapa das mortes relacionadas ao metanol

O boletim mais recente da Secretaria de Estado da Saúde detalha a distribuição das mortes confirmadas por intoxicação por metanol em São Paulo . No total, são 12 óbitos oficialmente associados à substância, espalhados por diferentes municípios, o que indica um problema que vai além de um único ponto de venda ou de uma única cidade. A capital paulista concentra quatro dessas vítimas: homens de 26, 45, 48 e 54 anos, todos com suspeita de exposição a bebidas ou produtos contendo metanol .

Outras cidades da região metropolitana também aparecem na lista de confirmações, reforçando o caráter disseminado do risco . Em São Bernardo do Campo, foram registradas a morte de uma mulher de 30 anos e de um homem de 62 anos. Em Osasco, três vítimas foram confirmadas: dois homens de 23 e 25 anos e uma mulher de 27 anos, todos com diagnóstico compatível com intoxicação por metanol . No interior, Jundiaí contabiliza a morte de um homem de 37 anos, enquanto Sorocaba registra um homem de 26 anos; Mauá, por sua vez, tem agora o jovem de 26 anos como vítima mais recente .

Além das mortes já confirmadas, o governo estadual apura outros quatro óbitos suspeitos que podem ter relação com o mesmo tipo de envenenamento . Entre os casos em investigação estão uma vítima de 39 anos em Guariba, uma de 31 anos em São José dos Campos e duas pessoas, de 29 e 38 anos, em Cajamar . As análises buscam identificar se também houve exposição a bebidas ou produtos contendo metanol, o que pode elevar ainda mais o número de mortes por intoxicação por metanol no estado. Enquanto laudos e exames laboratoriais não são concluídos, as autoridades tratam o cenário com máxima cautela.

O que é metanol e por que ele é tão perigoso

O metanol é um álcool industrial altamente tóxico, utilizado em processos químicos, solventes e combustíveis, mas que não é próprio para consumo humano. Diferentemente do etanol, presente nas bebidas alcoólicas comuns, o metanol pode causar danos graves mesmo em pequenas quantidades, levando à chamada intoxicação por metanol. Quando ingerido, ele é metabolizado pelo organismo em substâncias ainda mais tóxicas, capazes de provocar acidose metabólica intensa, lesões no sistema nervoso central e falência de órgãos vitais.

Os sintomas costumam aparecer poucas horas após a ingestão suspeita, embora em alguns casos o quadro possa demorar um pouco mais para se manifestar. Entre os sinais de alerta estão dor de cabeça forte, tontura, náusea, vômitos, visão turva, dificuldade para enxergar e, em casos mais graves, convulsões e perda de consciência. Muitos pacientes chegam a relatar a sensação de “neblina” ou “manchas” na visão antes de evoluírem para um quadro crítico de intoxicação por metanol. Sem tratamento rápido e adequado, a evolução para morte pode ocorrer em curto espaço de tempo.

Do ponto de vista médico, a abordagem de casos suspeitos envolve diagnóstico rápido, análise de exames laboratoriais e, sempre que possível, acesso a antídotos específicos e suporte intensivo. A identificação precoce de que se trata de intoxicação por metanol é determinante para aumentar as chances de sobrevivência e reduzir o risco de sequelas permanentes, como cegueira. Por isso, qualquer histórico recente de consumo de bebida alcoólica de procedência duvidosa, associado a sintomas neurológicos ou visuais, deve ser comunicado imediatamente às equipes de saúde. A transparência do paciente sobre o que consumiu pode salvar vidas.

Risco das bebidas adulteradas e orientações à população

Casos como o de São Paulo colocam em evidência um problema recorrente no país: a circulação de bebidas alcoólicas clandestinas, produzidas sem controle sanitário e, muitas vezes, com adição criminosa de metanol para aumentar o teor alcoólico ou reduzir custos. Em geral, esses produtos chegam ao consumidor com preços muito abaixo da média de mercado, rótulos falsificados ou aparência improvisada, o que reforça o risco de intoxicação por metanol. A combinação de crise econômica, informalidade e fiscalização insuficiente cria um ambiente propício para a expansão desse mercado ilegal.

Autoridades de saúde insistem na importância de sempre verificar a procedência das bebidas, priorizando locais regulares, marcas conhecidas e embalagens íntegras. Recomenda-se desconfiar de preços excessivamente baixos, embalagens sem lacre adequado, rótulos com erros grosseiros de impressão ou sem informações básicas, como CNPJ e registro nos órgãos competentes. Evitar produtos vendidos de forma improvisada, em garrafas reaproveitadas ou sem qualquer identificação clara, é uma das formas mais eficazes de reduzir o risco de intoxicação por metanol. Em festas, eventos ou compras coletivas, vale a pena combinar com amigos e familiares que todos fiquem atentos a esses sinais.

Em caso de suspeita de bebida adulterada, a orientação é suspender imediatamente o consumo e observar qualquer sintoma nas horas seguintes. Se alguém apresentar mal-estar intenso, alterações visuais, confusão mental ou perda de consciência após ingerir álcool de origem duvidosa, o correto é buscar socorro médico de urgência e informar a possibilidade de intoxicação por metanol. Paralelamente, é fundamental acionar os canais de denúncia para que as autoridades possam investigar a origem do produto, recolher possíveis lotes contaminados e responsabilizar os envolvidos. Atitudes rápidas ajudam a evitar que outras pessoas se tornem vítimas.

Ações do poder público e importância das denúncias

Com a confirmação da 12ª morte, o governo paulista intensifica o monitoramento dos casos e o cruzamento de informações sobre locais frequentados pelas vítimas, tipos de bebida consumida e possíveis pontos de venda em comum . A partir desses dados, equipes de vigilância sanitária e forças de segurança podem chegar a fabricantes clandestinos, depósitos irregulares e comércios que atuem à margem da lei. Essa articulação entre saúde e segurança pública é essencial para enfrentar o problema da intoxicação por metanol de forma estruturada.

A população tem papel decisivo nesse processo, seja evitando o consumo de bebidas suspeitas, seja colaborando com informações que ajudem a rastrear a origem dos produtos perigosos. Denúncias anônimas podem ser feitas aos canais oficiais dos governos estaduais e municipais, além de órgãos como Procon e Ministério Público, sempre que houver suspeita de comércio de bebidas adulteradas. Ao relatar endereços, nomes de estabelecimentos ou detalhes de distribuição, o cidadão contribui para impedir novos casos de intoxicação por metanol e protege outras pessoas da mesma ameaça.

Enquanto as investigações avançam e novos laudos são concluídos, especialistas reforçam que a combinação de informação, cautela e denúncia é hoje a principal barreira contra o avanço desse tipo de ocorrência. A tragédia das famílias que perderam parentes para a intoxicação por metanol em São Paulo expõe de forma dolorosa os impactos de um crime que se aproveita da vulnerabilidade do consumidor. Transformar esse cenário passa por fiscalização efetiva, punição exemplar e, sobretudo, pela consciência coletiva de que toda bebida de origem duvidosa pode custar a visão, a saúde e a própria vida.

  • Evite consumir bebidas alcoólicas sem rótulo, sem lacre ou com aparência improvisada, mesmo em situações informais.
  • Busque ajuda médica urgente diante de sintomas como visão turva, forte dor de cabeça ou confusão mental após ingestão de álcool de procedência duvidosa.

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