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Mamografia

Avanço histórico: 92% das mulheres de 50 a 69 anos no Brasil já realizaram mamografia, aponta pesquisa Vigitel do Ministério da Saúde

05 fev 2026 - 10h15 Joice Gomes   atualizado às 10h16
Avanço histórico: 92% das mulheres de 50 a 69 anos no Brasil já realizaram mamografia, aponta pesquisa Vigitel do Ministério da Saúde Avanço no SUS amplia rastreamento do câncer de mama, principal causa de morte em mulheres. (Imagem: José Cruz/Agência Brasil)

No Dia Nacional da Mamografia, celebrado neste 5 de fevereiro, uma pesquisa traz números animadores. Cerca de 91,9% das mulheres brasileiras na faixa dos 50 aos 69 anos já realizaram o exame de mamografia ao menos uma vez na vida. Esse índice representa um crescimento de quase dez pontos percentuais em relação a 2007, quando era de 82,8%.

O levantamento Vigitel, realizado pelo Ministério da Saúde, monitora comportamentos de risco à saúde por meio de entrevistas telefônicas com moradores de capitais brasileiras. Os dados de 2023 mostram que o exame de mamografia ganhou espaço em todas as regiões e grupos socioeconômicos, graças às ações do SUS.

Entre as mulheres de 60 a 69 anos, o índice chegou a 93,1%, um salto notável. Até para aquelas com menor instrução, a adesão subiu de 79,1% para 88,6%. Esses avanços refletem políticas públicas que priorizam a prevenção do câncer de mama.

Novas diretrizes ampliam público-alvo

Em 2025, o Ministério da Saúde atualizou as normas do rastreamento, incluindo mulheres de 40 a 49 anos sem sintomas ou fatores de risco. Essa mudança visa captar precocemente casos nessa faixa etária, que responde por cerca de 25% dos diagnósticos.

Agora, o limite superior passou de 69 para 74 anos, abrangendo melhor o perfil demográfico atual. O envelhecimento populacional torna essa expansão urgente, pois 60% dos tumores mamários surgem entre 50 e 74 anos.

No ano passado, o SUS realizou mais de 4,4 milhões de mamografias, sendo 2,6 milhões na faixa prioritária de 50 a 69 anos. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, celebrou os resultados como fruto de investimentos contínuos em equipamentos e equipes.

  • De 67,2% para 74,2% em dois anos, entre mulheres de 60 a 69 anos.
  • 88,6% de adesão entre as de menor escolaridade.
  • 1 milhão de exames extras para o grupo de 40 a 49 anos em 2024.
  • Expansão para até 74 anos beneficia milhares de idosas.

Perfil do câncer de mama no Brasil

O câncer de mama segue como o tumor mais frequente entre mulheres brasileiras, excluída a pele não melanoma. O INCA estima 78.610 novos casos anuais para o triênio 2026-2028, o que o torna responsável por 15% dos diagnósticos oncológicos femininos.

No total, o país deve registrar 781 mil novos cânceres por ano nesse período, com mama e próstata empatados no topo da lista. Apesar dos progressos na detecção, ainda há cerca de 37 mil mortes anuais pela doença.

Regiões como Sul e Sudeste concentram os maiores índices de incidência e mortalidade. Santa Catarina lidera com taxa ajustada de 74,79 óbitos por 100 mil mulheres, segundo dados recentes do INCA.

Especialistas alertam para a chegada tardia de muitas pacientes aos serviços. Bruno Giordano, da Sociedade Brasileira de Mastologia, cobra maior agilidade no fluxo diagnóstico e terapêutico para elevar as taxas de cura.

Como funciona e por que fazer mamografia

O exame de mamografia usa raios X em baixa dose para radiografar as mamas e identificar lesões minúsculas, mesmo sem sintomas. Quando detectado cedo, o câncer tem chance de cura acima de 95%.

A Lei dos 60 Dias, em vigor desde 2012, obriga o início do tratamento em até dois meses após o diagnóstico confirmado. Ainda assim, barreiras como filas e falta de conscientização persistem em algumas localidades.

Além do exame anual recomendado a partir dos 50 anos, hábitos preventivos são fundamentais. Manter peso saudável, praticar exercícios, evitar álcool e seguir dieta rica em frutas e vegetais corta riscos em até 30%.

  • Detecção precoce eleva sobrevida para 95% em estágios iniciais.
  • Exame recomendado anualmente de 50 a 69 anos, a cada dois anos após.
  • Atividade física regular reduz em 20% o risco de desenvolvimento.
  • Evitar tabagismo e excesso de álcool potencializa proteção.
  • Autoexame mensal complementa, mas não substitui a mamografia.

O Vigitel existe desde 2006 e serve de bússola para políticas contra doenças crônicas. Seus dados anuais ajudam a calibrar recursos e campanhas educativas em todo o país.

Esse marco de 92% na mamografia demonstra o impacto de ações coordenadas entre governo federal, estados e municípios. O SUS se consolida como pilar na luta contra o câncer de mama, reduzindo desigualdades regionais.

No Dia Nacional da Mamografia, o recado é direto: agende seu exame. A prevenção salva vidas e transforma estatísticas em histórias de superação. Procure a unidade de saúde mais próxima e marque já.

Com esses avanços, o Brasil caminha para zerar mortes evitáveis por essa neoplasia. Investimentos contínuos garantem que nenhuma mulher fique para trás nessa batalha pela saúde.

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