O consumo fantasma de carregadores na tomada eleva a conta de luz mesmo sem uso do celular.
(Imagem: de pvproductions no Freepik)
Deixar o carregador do celular plugado na tomada virou rotina em lares brasileiros, mas esse gesto simples esconde um gasto contínuo de energia. Chamado de consumo fantasma, esse fenômeno drena eletricidade de aparelhos em modo de espera, inchando a fatura mensal sem que ninguém perceba. Com tarifas em alta neste ano, o impacto no bolso fica ainda mais evidente.
Um carregador comum consome de 0,1 a 0,5 watt por hora mesmo sem o celular conectado, mantendo seu circuito ativo para detecção rápida. Em uma casa com quatro aparelhos, isso acumula kWh extras ao longo dos dias, somando reais na conta de luz. O problema se agrava em famílias grandes ou escritórios onde múltiplos dispositivos ficam 24 horas na tomada.
Consumo fantasma explicado
O consumo fantasma acontece quando eletrônicos "desligados" ainda puxam energia da rede para funções básicas como controle remoto ou espera por sinal. Carregadores de celular, TVs smart, notebooks e roteadores Wi-Fi encabeçam a lista de maiores gastadores nesse modo stand-by. Especialistas estimam que esse desperdício responde por até 12% do consumo residencial total no Brasil.
Para um carregador típico de 5W, o gasto ocioso fica em torno de 0,3W constantes. Ao longo de 30 dias, isso gera 0,216 kWh – com tarifa média de R$ 0,72/kWh em 2026, são R$ 0,16 mensais por unidade. Some dez aparelhos e o valor vira R$ 1,92 por mês, ou R$ 23 anuais só com stand-by de carregadores.
- Carregador celular: 0,1-0,5W em espera.
- TV LED desligada: 2-4W.
- Notebook carregando sem uso: 10-20W.
- Micro-ondas com relógio: 1-3W constantes.
- Decodificador TV a cabo: até 15W noturno.
Quanto pesa no orçamento familiar
Em uma residência padrão de 250 kWh mensais, o consumo fantasma pode adicionar R$ 15 a R$ 30 extras, cerca de 8% da fatura. Fatores como bandeiras tarifárias amarelas (R$ 0,089/kWh extra) e reajustes anuais da Aneel amplificam esse custo em 2026. Regiões com tarifas acima de R$ 0,80/kWh sentem o golpe mais forte.
Faça as contas: (potência em W x 24h x 30 dias) / 1000 = kWh mensais. Multiplique pela sua tarifa local. Dois carregadores a 0,4W somam 0,576 kWh/mês, custando R$ 0,41 com tarifa de R$ 0,72. Desligar corta esse valor imediatamente, gerando economia acumulada ao longo do ano.
Riscos graves de segurança
Além do prejuízo financeiro, carregadores sempre na tomada aquecem componentes internos, acelerando o desgaste e elevando chances de falhas. Em instalações elétricas precárias, comuns em casas antigas, surge risco real de curtos, surtos e incêndios. Casos recentes registraram fogos iniciados por modelos falsos superaquecidos perto de cortinas ou tapetes.
Aparelhos sem selo Inmetro ou de marcas duvidosas pioram a situação, pois circuitos mal projetados podem derreter sob carga contínua. Bombeiros recomendam desconectar tudo ao sair de casa, evitando tragédias evitáveis com gesto simples.
Hábitos para zerar o desperdício
Combater o consumo fantasma começa com disciplina: retire o carregador da tomada após usar. Crie rotina noturna de inspeção nas tomadas, desligando o que não precisa. Filtros de energia com botão geral facilitam cortar múltiplos aparelhos de uma vez.
- Prefira carregadores com selo Procel A, mais eficientes em stand-by.
- Instale réguas com interruptor para grupos de eletrônicos.
- Mantenha estação de recarga única e visível na cozinha ou sala.
- Opte por modelos USB-C modernos, que consomem menos ociosos.
- Use apps de monitoramento inteligente para rastrear gastos em tempo real.
Essas atitudes não só aliviam a conta de luz, mas prolongam a durabilidade dos equipamentos e reduzem carga na rede elétrica nacional. Em 2026, com previsão de novas altas tarifárias, virar o jogo contra o stand-by vira estratégia essencial de economia doméstica. Teste por um mês e confira a diferença na próxima fatura.