Tecnologia brasileira permite avaliar a maciez da carne em poucos segundos.
(Imagem: Canva)
O Brasil, que se mantém como um dos principais exportadores de carne bovina do mundo, ganhou uma nova ferramenta tecnológica para garantir ainda mais qualidade ao produto. Uma tecnologia para avaliar carne desenvolvida no país é capaz de identificar em apenas 12 segundos se a peça apresenta nível adequado de maciez para o consumo.
A inovação surge em um momento de forte presença brasileira no mercado internacional. Em 2025, o país enviou cerca de 3,5 milhões de toneladas de carne bovina para mais de 150 países, consolidando sua posição de liderança nas exportações.
Com esse cenário, garantir padrões de qualidade cada vez mais elevados se tornou um fator estratégico para frigoríficos e empresas do setor alimentício. A nova tecnologia para avaliar carne foi criada justamente para auxiliar nesse controle.
O equipamento, chamado SpecFit Meat, foi desenvolvido pela empresa Fine Instrument Technology e utiliza um sistema baseado em ressonância magnética nuclear de baixo campo.
Esse método permite captar sinais da estrutura da carne e transformá los em indicadores objetivos que apontam características como textura e maciez.
Como funciona a tecnologia que analisa a carne
O funcionamento da tecnologia para avaliar carne segue princípios semelhantes aos utilizados em exames de ressonância magnética aplicados em outras áreas. No entanto, nesse caso, o equipamento foi adaptado para uso industrial e controle de qualidade de alimentos.
Em vez de gerar imagens detalhadas, o sistema registra as respostas físicas do alimento quando ele é submetido a um campo magnético. A partir dessas respostas, o equipamento calcula parâmetros que ajudam a estimar a textura e a composição da carne.
Tradicionalmente, a escolha de um corte de carne é feita principalmente por análise visual. O consumidor observa cor, aparência e gordura aparente, mas esses elementos nem sempre indicam com precisão a maciez ou a qualidade real do produto.
Com a nova tecnologia para avaliar carne, o processo passa a ser muito mais preciso, pois permite identificar características internas que não podem ser percebidas a olho nu.
Segundo os desenvolvedores, o método é considerado não destrutivo. Isso significa que não é necessário cortar ou danificar a peça de carne para realizar a análise, o que facilita a aplicação em ambientes industriais e linhas de produção.
Benefícios da nova tecnologia para a indústria da carne
A adoção dessa tecnologia para avaliar carne pode trazer diversos benefícios para frigoríficos, distribuidores e consumidores.
Entre os principais pontos destacados pelos pesquisadores estão a rapidez e a precisão do processo. A análise completa de um corte de carne pode ser realizada em cerca de 12 segundos, permitindo avaliações em grande escala durante a produção.
Outro diferencial é a capacidade de identificar aspectos da composição química do alimento. O sistema consegue detectar níveis de água, gordura e proteínas presentes na carne, fatores que influenciam diretamente na textura e na qualidade do produto.
Além disso, a ferramenta permite que frigoríficos façam uma classificação mais detalhada dos cortes. Com isso, torna se possível separar lotes e direcionar peças com maior maciez para linhas premium do mercado.
Essa segmentação ajuda empresas a oferecer produtos com padrões de qualidade mais consistentes e aumenta a confiança do consumidor na escolha da carne.
O desenvolvimento da tecnologia também contou com base em pesquisas da Embrapa, instituição brasileira referência em ciência e inovação no agronegócio.
Com iniciativas como essa, o Brasil reforça sua posição não apenas como um grande produtor de carne bovina, mas também como um polo de inovação tecnológica voltado ao setor agroalimentar.