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Educação

Nova plataforma CadEJA do MEC amplia acesso à EJA para milhões de brasileiros sem estudos completos

29 mar 2026 - 15h24 Joice Gomes   atualizado em 30/03/2026 às 08h26
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Nova plataforma CadEJA do MEC amplia acesso à EJA para milhões de brasileiros sem estudos completos O CadEJA facilita o retorno de pessoas acima de 15 anos à educação pública, registrando demandas por vagas na EJA e mobilizando redes municipais e estaduais para atendimento rápido e próximo. (Imagem: Geovana Albuquerque/Agência Brasília)

O Ministério da Educação (MEC) acaba de lançar o CadEJA, uma plataforma online que revoluciona o acesso à Educação de Jovens e Adultos (EJA) em todo o Brasil.

Dirigida a maiores de 15 anos que não concluíram os estudos na idade certa, a ferramenta registra solicitações de matrícula e direciona as secretarias de educação locais para oferecer vagas adequadas, superando barreiras históricas de acesso.

Como funciona o CadEJA

O cadastro é simples e rápido, realizado pelo portal oficial ou pelo aplicativo MEC Enem. Basta informar dados básicos como nome, CPF, data de nascimento e telefone, além de escolher estado, município, bairro e turno desejado.

O interessado seleciona o nível de ensino pretendido – alfabetização, anos iniciais ou finais do fundamental, ou médio – e pode assinalar condições especiais, como inscrição no Cadastro Único ou ser pessoa com deficiência. Ao final, recebe um protocolo e aguarda o contato da secretaria responsável.

Crise na EJA brasileira

A modalidade enfrenta retração acentuada nas últimas anos. Entre 2014 e 2024, as matrículas despencaram 34,5%, passando de 3,6 milhões para 2,4 milhões de alunos.

O Sudeste perdeu 510 mil vagas nesse período, seguido pelo Nordeste com 265 mil. Regiões como Norte e Centro-Oeste registram quedas ainda mais drásticas, com Rondônia (-72,3%) e Mato Grosso (-68%) à frente na redução proporcional.

Esses números refletem desafios como evasão escolar, falta de infraestrutura e impactos da pandemia, que afastaram público tradicional da EJA, composto majoritariamente por trabalhadores informais e moradores de periferias.

Avanços contra o analfabetismo

Apesar das perdas em matrículas, o Brasil registra conquistas na alfabetização. Em 2024, a taxa de analfabetismo entre maiores de 15 anos caiu para 5,3%, equivalente a 9,1 milhões de pessoas – o menor índice desde o início da série histórica do IBGE.

A média de anos de estudo para maiores de 25 anos alcançou 10,1 anos, recorde nacional. Esses ganhos, porém, não mascaram a necessidade urgente de ampliar a oferta qualificada na EJA para quem busca formação básica ou média.

Pacto Nacional como estratégia

O CadEJA surge inserido no Pacto Nacional pela Superação do Analfabetismo e Qualificação da EJA, plano ambicioso do MEC para os próximos quatro anos. A iniciativa estabelece metas claras para reverter o quadro de desescolarização.

Entre os compromissos, destacam-se a expansão de turmas no programa Brasil Alfabetizado, inclusão de alunos EJA no benefício Pé-de-Meia, capacitação de 50 mil professores e aporte de recursos via PDDE-EJA para 3 mil escolas.

O pacto também prevê 3,3 milhões de novas matrículas, atendimento prioritário a população carcerária e parcerias com empresas para cursos profissionalizantes integrados, totalizando 160 horas de formação desde a alfabetização até o ensino médio.

Benefícios no mercado de trabalho

Concluir a EJA não significa apenas o certificado: estudos mostram que o diploma básico eleva a renda média em até 16% e amplia oportunidades de emprego formal.

Para trabalhadores autônomos ou do setor informal, a qualificação abre portas para progressão profissional, reduzindo desigualdades regionais e sociais. A plataforma CadEJA surge como ponte entre demanda reprimida e oferta pública, otimizando recursos educacionais.

  • Queda nas matrículas: -34,5% entre 2014-2024 (3,6 mi para 2,4 mi alunos).
  • Analfabetismo 2024: 5,3% da população acima de 15 anos (9,1 milhões).
  • Meta Pacto EJA: 3,3 milhões de novas vagas em 4 anos.
  • Acesso ao CadEJA: Site oficial, app MEC Enem ou 0800-616161.
  • Maiores reduções: Rondônia (-72,3%), Mato Grosso (-68%), Acre (-66,7%).
  • Renda com EJA: Aumento médio de 16% após conclusão.

Lançamento e perspectivas

O anúncio ocorreu durante o Encontro Nacional da EJA, em Recife, onde 2 mil alunos receberam certificados. Autoridades do MEC destacaram a plataforma como divisor de águas para inclusão educacional.

Secretarias estaduais e municipais já foram orientadas a monitorar demandas via sistema, garantindo resposta em até 30 dias. Para dúvidas, o canal 0800-616161 oferece suporte dedicado.

O CadEJA representa mais que tecnologia: é política pública concreta contra exclusão educacional. Ao centralizar informações, evita duplicidade de esforços e direciona investimentos onde a necessidade é maior, promovendo equidade em um país ainda marcado por desigualdades históricas.

Transformação pessoal e social

Para milhões de brasileiros, retomar os estudos significa resgatar sonhos adiados por trabalho precoce, pobreza ou migração. Histórias de superação na EJA mostram impacto direto na vida familiar e comunitária.

Uma mãe solteira que alfabetiza-se para ajudar nos deveres dos filhos; um operário que ascende na fábrica após o fundamental completo. Esses casos ilustram o potencial transformador da modalidade, agora potencializado pela agilidade digital do CadEJA.

Com o pacto em curso, o Brasil caminha para reduzir ainda mais o analfabetismo funcional, estimado em 30% da população e elevar a qualidade de vida por meio da educação continuada.

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