0:00 Ouça a Rádio
Qua, 15 de Julho
Furto

Unicamp apura furto de material biológico com 24 cepas de vírus e amplia revisão de segurança interna

31 mar 2026 - 08h57 Joice Gomes
Unicamp apura furto de material biológico com 24 cepas de vírus e amplia revisão de segurança interna Unicamp investiga furto de material biológico com 24 cepas de vírus. Caso envolve professora, doutorando, PF, MPF e falhas de segurança. (Imagem: Thomaz Marostegan/Unicamp)

A Unicamp tenta conter os efeitos de um caso considerado grave dentro de sua estrutura de pesquisa: o furto de material biológico de um laboratório de alta contenção no Instituto de Biologia. A investigação aponta a retirada irregular de pelo menos 24 cepas de vírus, entre elas agentes ligados a doenças como dengue, chikungunya, zika, herpes, coronavírus humano e influenza.

O episódio passou a ser tratado pelas autoridades como um caso de furto qualificado e de possível violação de regras de biossegurança. Embora as amostras não tenham saído do campus, elas foram deslocadas de forma indevida para outros espaços da universidade, o que ampliou a preocupação sobre controle de acesso, rastreabilidade e descarte de material sensível.

Como o caso começou

O desaparecimento das amostras foi percebido em fevereiro de 2026 por uma pesquisadora do laboratório. A partir daí, a apuração interna passou a cruzar registros de entrada, imagens de segurança e a circulação de pessoas com vínculo com a própria universidade.

As imagens analisadas mostraram movimentações consideradas fora do padrão em horários pouco usuais, inclusive durante a madrugada e nas primeiras horas da manhã. Isso reforçou a suspeita de que o material tenha sido retirado com conhecimento prévio da rotina do laboratório e com uso de acessos internos.

Quem está sob investigação

Entre os nomes investigados estão a professora Soledad Palameta Miller, da Faculdade de Engenharia de Alimentos, e o doutorando Michael Edward Miller, marido dela. Soledad havia trabalhado anteriormente no próprio laboratório de virologia envolvido no caso, o que ajuda a explicar a familiaridade com o ambiente e com os procedimentos internos.

Michael também tinha ligação com a universidade por meio do doutorado e de atividades vinculadas à área de pesquisa. Segundo a apuração oficial, o casal frequentava dependências da Unicamp desde o fim de 2025, o que chamou a atenção dos investigadores ao ser comparado com os registros de acesso e com o deslocamento dos frascos.

O que foi levado

O material furtado inclui pelo menos 24 tipos de vírus guardados em condições de alta segurança. Entre as amostras identificadas estão patógenos conhecidos e de interesse científico relevante, como dengue, zika, chikungunya, herpes, coronavírus humano e os subtipos de influenza H1N1 e H3N2.

As autoridades informaram que os vírus não eram geneticamente modificados, o que afastou a hipótese inicial de uso em experimentos de engenharia genética. Ainda assim, a retirada irregular de organismos infecciosos em ambiente controlado é considerada um risco sério, tanto do ponto de vista científico quanto do ponto de vista legal.

Onde o material foi encontrado

Parte das amostras apareceu em laboratórios ligados à própria universidade, inclusive em áreas sob responsabilidade da professora investigada. Outra parte foi localizada em recipientes e espaços inadequados, o que levantou suspeitas de descarte irregular e tentativa de ocultação da origem do material.

Esse ponto aumentou a gravidade do caso porque indica que o desvio não se limitou à retirada física das cepas. Também houve problemas no acondicionamento, na documentação e na circulação dos frascos, elementos essenciais para a segurança de laboratórios que trabalham com patógenos.

Resposta das autoridades

A Polícia Federal abriu investigação para apurar furto qualificado, fraude processual e transporte irregular de material biológico. O Ministério Público Federal também passou a analisar se houve falha institucional no controle de amostras e no monitoramento dos acessos ao laboratório.

A Anvisa foi acionada para apoiar a perícia e avaliar as condições de armazenamento e recuperação do material. A Unicamp, por sua vez, instaurou investigação interna e afirmou estar colaborando com todos os órgãos envolvidos, além de revisar procedimentos de segurança e de fiscalização.

Impacto para a universidade

O caso atinge diretamente a imagem de uma das principais universidades públicas do país, especialmente por envolver um laboratório de referência em virologia e pesquisa biomédica. A situação abre espaço para questionamentos sobre a efetividade dos protocolos de segurança em centros de excelência científica.

Na prática, o episódio pode levar a mudanças mais rígidas em rotinas de acesso, registro, armazenamento e descarte de material biológico. Também pode influenciar auditorias internas, revisões de normas e novas exigências em pesquisas que lidem com agentes infecciosos de risco.

Consequências em apuração

Até aqui, a principal dúvida é sobre a motivação do desvio. A investigação tenta esclarecer se houve uso indevido para pesquisa paralela, tentativa de apropriação de material científico ou outra finalidade ainda não confirmada.

Independentemente da motivação, o caso já produz efeitos concretos: desgaste institucional, paralisação de rotinas de pesquisa e pressão para que universidades e centros científicos reforcem sistemas de controle. Em um cenário de maior sensibilidade sanitária, a circulação irregular de vírus em ambiente acadêmico ganha peso ainda maior.

  • O furto ocorreu em laboratório de alta contenção da Unicamp.
  • Pelo menos 24 cepas de vírus foram retiradas irregularmente.
  • PF, MPF e Anvisa acompanham o caso.
  • Entre os investigados estão uma professora e um doutorando ligados à universidade.
  • A universidade abriu apuração interna e revisa protocolos de segurança.

O episódio segue em investigação e deve continuar repercutindo dentro e fora da universidade, tanto pelo volume de material envolvido quanto pelas dúvidas que levantou sobre a segurança de laboratórios brasileiros.

Tags:

Mais notícias
Surto de parasita perigoso nos EUA faz redes suspenderem o uso de alface
Saúde Surto de parasita perigoso nos EUA faz redes suspenderem o uso de alface
Senado aprova MP que endurece fiscalização do frete mínimo rodoviário
Transportes Senado aprova MP que endurece fiscalização do frete mínimo rodoviário
PF indicia "Careca do INSS" e ex-presidente do órgão por descontos ilegais em aposentadorias
Policial PF indicia "Careca do INSS" e ex-presidente do órgão por descontos ilegais em aposentadorias
Fies abre inscrições para o segundo semestre com novas regras de cobrança e vagas sociais
Fies 2º Semestre Fies abre inscrições para o segundo semestre com novas regras de cobrança e vagas sociais
Prazo para pagar taxa de inscrição da Prova Nacional Docente termina nesta terça-feira
Prazo encerra hoje Prazo para pagar taxa de inscrição da Prova Nacional Docente termina nesta terça-feira
Lula entra na campanha pelo fim da escala 6x1 e cobra votação da PEC no Senado
Direitos Lula entra na campanha pelo fim da escala 6x1 e cobra votação da PEC no Senado
Brasil envia 48 toneladas de leite em pó em ajuda humanitária para Cuba
Humanitário Brasil envia 48 toneladas de leite em pó em ajuda humanitária para Cuba
Proteína sindecam-4 é identificada por cientistas como chave para frear metástase do câncer
Científico Proteína sindecam-4 é identificada por cientistas como chave para frear metástase do câncer
El Niño deve encarecer conta de luz no Brasil e afetar até beneficiários da Tarifa Social
Clima El Niño deve encarecer conta de luz no Brasil e afetar até beneficiários da Tarifa Social
Catadoras de mangaba enfrentam expansão urbana e defendem território tradicional em Aracaju
Extrativismo Catadoras de mangaba enfrentam expansão urbana e defendem território tradicional em Aracaju
Mais Lidas
Fora da Copa e preterido na Europa, João Gomes desabafa: "Deus tem o melhor"
Convocação Fora da Copa e preterido na Europa, João Gomes desabafa: "Deus tem o melhor"
Dataprev abre concurso público com salários de até R$ 10,6 mil e inscrições na FGV
Empregos Dataprev abre concurso público com salários de até R$ 10,6 mil e inscrições na FGV
Mega Sena acumula e próximo concurso pode pagar prêmio de R$ 25 milhões
Loterias Mega Sena acumula e próximo concurso pode pagar prêmio de R$ 25 milhões
PF aponta que Valdemar Costa Neto atuava como "líder" na Câmara sem ter mandato
Emendas PF aponta que Valdemar Costa Neto atuava como "líder" na Câmara sem ter mandato