Agentes da PF intensificam combate a rede que usava empresas e criptomoedas para ocultar recursos ilícitos.
(Imagem: Polícia Federal/divulgação)
A Polícia Federal desencadeou nesta quinta-feira (26) mais uma etapa da Operação Narco Azimut, operação que investiga uma organização criminosa especializada em lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
Os trabalhos concentram-se em São Paulo (capital, Santos, Ilhabela e Taboão da Serra) e Balneário Camboriú, em Santa Catarina, comfeder cumprimento de 26 mandados judiciais de busca e apreensão, além de prisões temporárias. Cerca de 60 agentes federais participam da mobilização.
Continuidade de apurações robustas
Essa fase complementa as ações deflagradas em janeiro deste ano, na própria Narco Azimut, e se conecta à Operação Narco Bet, iniciada em outubro de 2025. Juntas, elas expõem um esquema sofisticado que inseria recursos de origem ilícita, principalmente do narcotráfico, no sistema econômico formal.
Na primeira etapa da Narco Azimut, as investigações apontaram movimentações superiores a R$ 39 milhões, incluindo espécie, transferências bancárias e criptoativos. Foram cumpridos mandados em diversas cidades, como Santos, São Bernardo do Campo, Goiânia e Búzios (RJ), com prisões e bloqueios financeiros significativos.
A rede atuava com empresas de fachada, transportes de numerário em veículos e plataformas digitais para transações internacionais, dificultando o rastreamento pelas autoridades.
Ordem judicial de grande impacto
A 5ª Vara Federal de Santos autorizou o sequestro de bens e valores dos investigados até R$ 934 milhões, além de vedar movimentações em contas e empresas suspeitas. Essas medidas visam desarticular imediatamente a estrutura financeira do grupo.
Os crimes em análise – associação criminosa armada, lavagem de capitais e evasão de divisas – preveem penas cumulativas que podem ultrapassar duas décadas de prisão. A Polícia Federal enfatiza o papel central das empresas fantasmas na operação.
Durante as buscas, espera-se a localização de provas materiais, como celulares, computadores, documentos contábeis e eventuais somas em dinheiro, essenciais para delinear a total extensão da rede.
Modus operandi revelado
O grupo explorava vulnerabilidades no mercado de criptomoedas para anonimizar transações e enviava divisas ao exterior por meios não convencionais. Paralelamente, o transporte físico de espécie por rodovias brasileiras servia como complemento logístico.
A Operação Narco Bet, precursora, desmantelou práticas ligadas a apostas online ilegais e rifas, comuns no branqueamento de capitais provenientes de rotas de cocaína. Resultou em 11 prisões, apreensões de bens de luxo e bloqueio de R$ 630 milhões, com denúncias apresentadas pelo Ministério Público Federal contra empresários e influenciadores digitais.
A inclusão de Balneário Camboriú nesta fase direciona olhares para o litoral catarinense, região recorrentemente associada a fluxos financeiros atípicos e operações de alto calibre.
Efeitos imediatos e perspectivas
O congelamento de quase R$ 1 bilhão em ativos representa um duro revés para os investigados e possibilita a repatriação de verbas ao Tesouro Nacional. As restrições judiciais paralisam qualquer tentativa de dilapidação patrimonial.
Com prisões temporárias em vigor, a PF ganha tempo para colher depoimentos e periciar materiais, o que pode desencadear novas ordens de prisão preventiva ou indiciamentos formais. Autoridades sinalizam a possibilidade de ramificações adicionais.
- Volume lavado na Narco Azimut inicial: R$ 39 milhões.
- Criptoativos envolvidos: R$ 15,4 milhões.
- Bloqueios na Narco Bet: R$ 630 milhões em bens.
- Ampliação geográfica para Santa Catarina.
Analistas de inteligência financeira observam que ferramentas como o rastreamento de blockchain têm sido cruciais para desmascarar essas operações, apesar da crescente complexidade tecnológica dos criminosos.
Enfrentando o financeiro do crime organizado
Ações como a Narco Azimut demonstram a estratégia da PF de atacar as finanças do narcotráfico, principal motor de outras modalidades criminosas no país. O Brasil, hub de exportação de drogas para Europa e EUA, registra aumento na sofisticação desses fluxos.
Casos semelhantes em Santa Catarina, incluindo escândalos com fundos de pensão, reforçam a necessidade de vigilância no Sul. A operação pode impulsionar reformas regulatórias, como maior escrutínio sobre exchanges de criptoativos e alertas compulsórios ao Coaf.
Além das sanções penais, os alvos enfrentarão ações de improbidade para perda definitiva de bens. A médio prazo, a redução de capital ilícito beneficia a segurança pública e a integridade do mercado.
As investigações seguem sob sigilo, com foco na preservação de provas. Novas informações emergirão à medida que os trabalhos avançarem, mantendo o público atualizado sobre os desdobramentos.