Tecnologias climáticas buscam reduzir impactos ambientais e ampliar eficiência energética.
(Imagem: Ralf Vetterle / Pixabay)
Eventos climáticos extremos, como temporais, enchentes, secas prolongadas e estiagens intensas, têm se tornado cada vez mais frequentes em diversas regiões do mundo. Diante desse cenário, cresce também a busca por soluções capazes de reduzir os impactos ambientais e melhorar a adaptação da sociedade às mudanças do clima.
Esse movimento tem impulsionado o desenvolvimento das chamadas tecnologias climáticas, também conhecidas como tecnologias verdes ou ambientalmente sustentáveis.
O setor reúne iniciativas que utilizam inovação e ciência para reduzir emissões de poluentes, aumentar a eficiência no uso de recursos naturais e fortalecer a resiliência de infraestruturas diante de eventos climáticos extremos.
Mercado global pode movimentar trilhões
Segundo estudos internacionais, a tecnologia climática reúne dois dos setores com maior potencial de crescimento econômico nas próximas décadas: tecnologia e economia verde.
Relatórios do Fórum Econômico Mundial indicam que, até 2030, a demanda por soluções sustentáveis pode gerar cerca de US$ 10,1 trilhões em oportunidades de negócios no mundo.
Parte significativa desse valor deve vir da economia gerada por investimentos em eficiência energética, gestão de recursos hídricos e reutilização de matérias-primas.
Iniciativas internacionais aceleram o setor
Especialistas apontam que organismos internacionais e acordos globais voltados ao enfrentamento das mudanças climáticas devem impulsionar ainda mais esse mercado.
Um exemplo é o Programa de Implementação de Tecnologia (TIP), iniciativa criada durante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas realizada em 2025, em Belém, no Pará.
O objetivo do programa é ampliar o acesso às tecnologias climáticas, principalmente em países em desenvolvimento, fortalecendo sistemas de inovação e criando ambientes regulatórios que favoreçam a implementação dessas soluções.
América Latina ainda recebe poucos investimentos
Apesar do crescimento do setor, os investimentos ainda estão concentrados em algumas regiões do mundo.
Dados da plataforma de inteligência de mercado Net Zero Insights indicam que, em 2024, a América Latina recebeu apenas US$ 743,3 milhões em investimentos, o que representa menos de 1% dos cerca de US$ 92 bilhões aplicados globalmente em tecnologia climática.
Mesmo assim, o Brasil conseguiu mobilizar aproximadamente R$ 2 bilhões em investimentos no setor, gerando mais de 5 mil empregos diretos e indiretos ligados às chamadas climatechs — startups que desenvolvem soluções tecnológicas voltadas ao combate das mudanças climáticas.
Potencial brasileiro para liderar soluções
Especialistas apontam que o Brasil reúne características favoráveis para o desenvolvimento de tecnologias climáticas.
Entre os fatores citados estão a ampla biodiversidade, a presença de centros de pesquisa e universidades reconhecidas internacionalmente e um ecossistema empreendedor em crescimento.
Esse conjunto pode favorecer a criação de soluções tanto para atender o mercado interno quanto para exportação de tecnologias sustentáveis.
Desafios para ampliar investimentos
Apesar do potencial, especialistas avaliam que o país ainda enfrenta desafios para ampliar sua participação no fluxo global de investimentos.
Entre os principais obstáculos estão a necessidade de maior articulação entre governo, setor privado e startups, além da ampliação de fontes de financiamento e do fortalecimento de políticas públicas voltadas à inovação.
Entidades do setor também têm trabalhado em parceria com instituições como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para desenvolver novos modelos de financiamento capazes de aproximar investidores das soluções criadas pelas startups climáticas.
Setor pode transformar mercados
Especialistas acreditam que o avanço das tecnologias climáticas deve provocar mudanças significativas na economia global nas próximas décadas.
O crescimento da demanda por soluções sustentáveis tende a transformar setores como energia, agricultura, indústria, mobilidade e gestão de resíduos, criando novas oportunidades de negócios e inovação.