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Educacional

Padilha afirma que escolas de medicina podem ser proibidas de aplicar vestibular

23 jan 2026 - 10h14 Alexsander Arcelino   atualizado às 10h20
Ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Alexandre Padilha defende medidas mais rígidas para melhorar a qualidade das escolas de medicina no Brasil. (Imagem: Tânia Rêgo / Agência Brasil)

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou nesta quinta-feira (22) que escolas de medicina que não apresentarem melhorias na qualidade do ensino poderão ser impedidas de aplicar vestibulares e até perder autorização para funcionamento. A declaração foi feita após a divulgação dos resultados do Enamed (Exame Nacional de Formação Médica), que apontaram falhas relevantes em diversas instituições de ensino superior no país.

Segundo Padilha, o governo federal decidiu adotar medidas mais rígidas para enfrentar problemas históricos na formação médica. Ele classificou o momento como um “choque de realidade” necessário para elevar o padrão de qualidade dos cursos e garantir profissionais mais bem preparados para atuar no sistema de saúde brasileiro.

“Se essas instituições não melhorarem, não vão poder mais fazer vestibular, ampliar vagas e talvez não vão mais funcionar. Se não houver medidas concretas de melhora e isso não aparecer no futuro, elas podem ser descredenciadas”, afirmou o ministro durante conversa com jornalistas, após visita a um hospital federal no Rio de Janeiro.

Resultados do Enamed expõem falhas em cursos de medicina

Dados divulgados pelo Ministério da Educação mostram que, dos 304 cursos de medicina — entre instituições públicas federais e privadas — que participaram do Enamed, 204 alcançaram conceito entre 3 e 5 no Enade, faixa considerada satisfatória. Esse grupo representa cerca de 67% do total avaliado.

Por outro lado, 99 escolas de medicina, o equivalente a 32% das instituições participantes, obtiveram conceitos 1 ou 2. Nesses casos, menos de 60% dos estudantes apresentaram desempenho considerado adequado no exame, o que acendeu o alerta do governo sobre a qualidade da formação oferecida.

Para Padilha, os números evidenciam a necessidade de uma fiscalização mais rigorosa e de políticas públicas voltadas à correção das deficiências identificadas.

Críticas à expansão desordenada de vagas

O ministro também criticou a política adotada em governos anteriores, afirmando que houve uma expansão acelerada de vagas em faculdades privadas de medicina sem a devida avaliação da qualidade do ensino ofertado. Segundo ele, esse crescimento desordenado contribuiu para o cenário atual de disparidades na formação médica.

Padilha destacou que o Enamed, aliado a um sistema de avaliação progressiva dos estudantes ao longo do curso, pode ser um instrumento importante para reverter esse quadro. A proposta é acompanhar o desempenho dos alunos e das escolas de medicina de forma contínua, incentivando melhorias estruturais e pedagógicas.

“O ministério está colocando a casa em ordem. O Enamed vai dar um choque de realidade e oferecer terapias para cuidar da qualidade da formação médica no Brasil”, declarou.

Judicialização do exame e possível exame de proficiência

O resultado do Enamed tem sido questionado judicialmente pela Anup (Associação Nacional das Universidades Particulares), que alegou inconsistências na condução da edição de 2025 do exame. Sobre o tema, Padilha afirmou que há espaço para sugestões e questionamentos, mas ressaltou que, até o momento, as ações judiciais não obtiveram êxito.

“Há espaço para sugestões e justificativas. Mas todas as justificativas apresentadas até agora na Justiça não deram certo”, pontuou o ministro.

Padilha também se mostrou favorável à criação de um exame de proficiência obrigatório para médicos recém-formados, nos moldes de um exame de ordem. Ele avalia que o próprio Enamed poderia cumprir esse papel no futuro, mas destacou que qualquer mudança nesse sentido precisaria ser debatida e aprovada pelo Congresso Nacional.

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