Enamed revela que mais de 69% dos cursos de medicina tiveram desempenho satisfatório.
(Imagem: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)
O Enamed, primeiro Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica aplicado em 2025, trouxe números importantes para o ensino superior brasileiro. Dos 351 cursos de medicina avaliados pelo Inep e MEC, 243 alcançaram desempenho satisfatório, o que representa mais de 69% do total. Esses cursos garantiram proficiência a pelo menos 60% dos estudantes concluintes.
A avaliação, divulgada nesta segunda-feira (19), contou com a participação de 89.024 inscritos, sendo 39.258 concluintes de graduação. Instituições privadas dominaram os números, com mais de 28 mil alunos, enquanto as públicas federais, estaduais e municipais somaram pouco mais de 9 mil. Os melhores resultados vieram das federais, com média de 83,1% de proficiência entre 6.502 estudantes.
107 cursos enfrentam sanções
Por outro lado, 107 cursos ficaram com notas 1 e 2, consideradas insatisfatórias, e um não foi avaliado por falta de concluintes suficientes. Desses, 99 estão sob regulação federal e terão 30 dias para apresentar defesa após publicação no Diário Oficial da União. As medidas incluem proibição de aumento de vagas, redução de oferta e suspensão do Fies.
- 8 cursos: suspensão total de novos ingressos e programas federais;
- 13 cursos: redução de 50% das vagas, além de suspensão do Fies;
- 33 cursos: corte de 25% na oferta de vagas;
- 45 cursos: impedidos de expandir vagas.
O ministro da Educação, Camilo Santana, destacou que o objetivo é elevar a qualidade da formação médica. "Queremos que esses cursos continuem, ampliem vagas e ofereçam cada vez mais qualidade", afirmou durante reunião com a imprensa, ao lado do Ministério da Saúde.
Origem e futuro do Enamed
Criado em abril de 2025 por portaria do MEC, o Enamed adapta o Enade para concluintes de medicina e serve como critério para residência médica via Enare. A partir de 2026, o exame será anual, aplicado no 4º e 6º anos, permitindo monitoramento contínuo e correções precoces. Visitas in loco e atualização das Diretrizes Curriculares Nacionais também estão previstas para cursos com baixo desempenho.
As instituições públicas se destacaram: federais com 83,1% e estaduais com 86,6% de proficiência média. Já as municipais e privadas sem fins lucrativos lideraram as piores avaliações. O MEC enfatiza que o foco é na supervisão estratégica, sem fechamentos imediatos, mas com ações firmes para proteger a população e o SUS.
Impacto na formação médica
O Enamed surge em meio à expansão de cursos de medicina entre 2017 e 2022, que dobrou o número de vagas no país. Agora, os resultados orientam regulação, financiamento e qualidade acadêmica. Estudantes de cursos bem avaliados ganham vantagem em residências, enquanto os mal classificados entram em processo administrativo escalonado.
Especialistas veem no exame uma ferramenta essencial para alinhar a graduação às demandas do sistema de saúde. Com periodicidade anual, ele permite ajustes curriculares e pedagógicos, beneficiando futuros médicos e pacientes. O MEC planeja nova edição em outubro de 2026, com divulgação em dezembro.
Os dados completos, incluindo lista de cursos por nota, estão disponíveis no site do Inep. A iniciativa reforça o compromisso com uma formação médica de excelência, unindo MEC, Inep e Ebserh em prol de profissionais qualificados para o Brasil.