Will bank.
(Imagem: Divulgação)
O Banco Central (BC) decretou a liquidação extrajudicial do Will Bank, banco digital que operava ligado ao Banco Master. A medida foi assinada pelo presidente da autoridade monetária, Gabriel Galípolo, e ocorre por extensão da liquidação já decretada contra o Banco Master, aprofundando a crise no grupo financeiro.
Com a decisão, o Will Bank deixa de operar normalmente, e seus ativos e passivos passam a ser administrados por um liquidante indicado pelo Banco Central, com o objetivo de organizar o pagamento de credores e proteger o sistema financeiro.
CDBs passam a ser cobertos pelo FGC
Assim como aconteceu no caso do Banco Master, a liquidação faz com que os Certificados de Depósito Bancário (CDBs) emitidos pelo Will Bank passem a contar com a proteção do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). O fundo garante valores de até R$ 250 mil por CPF, considerando o total investido por cliente na instituição.
De acordo com os dados mais recentes disponíveis, o Will Bank somava cerca de R$ 6,5 bilhões em CDBs em setembro de 2025, valor que agora entra no radar do FGC para ressarcimento dos investidores dentro do limite estabelecido.
E o dinheiro em conta corrente?
Uma das principais dúvidas entre os clientes é o que acontece com o dinheiro mantido em conta. Na prática, os recursos ficam temporariamente indisponíveis após a decretação da liquidação. No entanto, esses valores também entram no processo de restituição pelo FGC, obedecendo ao mesmo teto de R$ 250 mil por CPF.
Ou seja, tanto aplicações financeiras quanto saldos em conta corrente ou de pagamento são tratados de forma semelhante dentro do processo de garantia, desde que respeitado o limite previsto em lei.
Valores acima do limite entram em disputa
Clientes que possuem valores acima da cobertura do FGC entram em uma situação mais delicada. Esses recursos somente poderão ser devolvidos se houver capital suficiente após a venda dos ativos do banco, como carteiras de crédito, participações e outros bens.
Nesse cenário, os clientes se tornam credores da massa liquidanda e passam a depender do resultado do processo de liquidação, que pode se estender por meses ou até anos.
Em seu site oficial, o Will Bank informa ter cerca de 9 milhões de clientes. No entanto, fontes do mercado avaliam que esse número pode ter diminuído após a liquidação do Banco Master, quando parte dos clientes teria migrado para outras instituições.
A decisão do Banco Central reforça a postura mais rigorosa da autoridade monetária diante de problemas de solvência e gestão no sistema financeiro, ao mesmo tempo em que testa a capacidade do FGC de absorver mais um evento relevante.
O que os clientes devem fazer agora
Especialistas recomendam que os clientes acompanhem os comunicados oficiais do FGC e do liquidante, mantenham seus dados atualizados e evitem cair em golpes que costumam surgir em momentos de crise bancária.
Apesar do impacto imediato, a atuação do FGC garante que a maioria dos clientes não sofra perdas financeiras diretas, reforçando o papel do fundo como principal mecanismo de proteção ao pequeno e médio investidor no Brasil.