Atraso do MEC no anúncio do reajuste do piso dos professores gera apreensão entre educadores e gestores públicos.
(Imagem: Luis Fortes / Ministério da Educação (MEC))
O Ministério da Educação (MEC) descumpriu o prazo anunciado pelo próprio ministro Camilo Santana para divulgar o reajuste do piso dos professores da educação básica. A expectativa era de que o percentual fosse apresentado até o dia 15 de janeiro, mas, mesmo com a chegada do dia 17, o governo federal ainda não tornou público nem o índice oficial nem a fórmula que orientará o aumento salarial da categoria em 2026.
O atraso ampliou a apreensão entre professores, entidades sindicais e gestores públicos de estados e municípios. Isso porque, em declarações recentes, o ministro havia afirmado que o reajuste do piso do magistério seria real, ou seja, acima da inflação. Com o descumprimento do cronograma, crescem as dúvidas sobre o calendário do anúncio e sobre a viabilidade do compromisso assumido pelo MEC.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que a inflação acumulada no ano fechou em 4,26%. Diante desse cenário, Camilo Santana declarou que o piso dos professores não ficaria restrito à simples reposição inflacionária, o que elevou a expectativa da categoria. Até o momento, porém, não há informações oficiais que confirmem como esse ganho real será viabilizado.
Regra atual pressiona o debate
O atraso ocorre em meio a um contexto de insatisfação crescente na educação pública. Pela regra vigente de cálculo, o reajuste automático do piso dos professores indicaria um aumento de apenas 0,37% em 2026. O percentual gerou reação imediata de sindicatos e entidades representativas, que consideram o índice incapaz de recompor as perdas salariais acumuladas.
Atualmente, o piso nacional do magistério está fixado em R$ 4.867,77 para uma jornada de 40 horas semanais. Caso fosse aplicado apenas o reajuste de 0,37%, o valor subiria para cerca de R$ 4.885,87, um acréscimo mensal pouco superior a R$ 18. Para professores de diversas redes públicas, o aumento é visto como simbólico e insuficiente frente ao custo de vida.
Promessa de ganho real eleva expectativa
A sinalização de um reajuste acima da inflação muda significativamente o cenário. Considerando o índice inflacionário de 4,26%, o aumento mínimo ultrapassaria R$ 200, elevando o piso dos professores para algo em torno de R$ 5.070. Esse patamar garantiria ganho real e atenderia parcialmente às reivindicações feitas pela categoria ao longo do último ano.
Nos bastidores, técnicos do MEC discutem mudanças na forma de cálculo do piso nacional. Uma das possibilidades em análise é a adoção de um critério híbrido, que combine a inflação anual com uma parcela do crescimento real das receitas do Fundeb registrado nos últimos anos.
Especialistas avaliam que esse modelo poderia trazer maior previsibilidade aos reajustes, evitando oscilações bruscas e percentuais considerados inadequados, como o projetado para 2026 pela regra atual. Estimativas preliminares indicam que a nova metodologia poderia resultar em um reajuste superior a 6%.
Clima de incerteza permanece
Apesar das discussões, o governo federal ainda não confirmou se a nova fórmula será adotada nem quais percentuais entrarão no cálculo final. A ausência de informações oficiais mantém o clima de incerteza e intensifica a pressão sobre o MEC.
Para professores e sindicatos, o atraso no anúncio fragiliza a confiança no discurso de valorização da carreira docente. Já estados e municípios acompanham o debate com cautela, atentos aos impactos orçamentários de um reajuste mais elevado. Enquanto o MEC não apresenta uma definição clara, o piso dos professores em 2026 segue cercado de expectativa, apreensão e cobranças por transparência.