Nova política de isenção de IPVA no Espírito Santo visa acelerar a eletrificação do transporte privado
(Imagem: Canva)
A migração de motoristas para a frota de zero emissões pode ganhar um forte empurrão financeiro no Sudeste. O governo do estado do Espírito Santo estuda a formulação de um projeto de lei focado em conceder isenção integral do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) no momento da primeira aquisição de automóveis movidos exclusivamente a baterias. A medida mira a redução direta do custo de transição tecnológica para os consumidores capixabas.
O desenho normativo do benefício fiscal foi confirmado publicamente pelo governador Ricardo Ferraço (MDB). No momento, a Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz-ES) se debruça sobre os cálculos de impacto financeiro e renúncia de receita para dar o sinal verde definitivo à proposta. Atualmente, os proprietários de automóveis de passeio no Espírito Santo recolhem uma alíquota padrão de 2% sobre o valor venal do bem na tabela de referência.
Incentivo à descarbonização e panorama regional
A engenharia tributária proposta tem como meta central rejuvenescer a frota capixaba com tecnologias de matriz limpa, alinhando o estado às metas globais de descarbonização do setor de mobilidade. Para o usuário final, a vantagem competitiva vai além da economia crônica com combustíveis fósseis e da manutenção simplificada, representando um alívio de milhares de reais nos primeiros anos de licenciamento.
Como o IPVA está sob o guarda-chuva de competência tributária dos estados, as unidades da federação dispõem de total autonomia legislativa para calibrar suas isenções:
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IPVA Zero Contínuo: Estados como Acre, Distrito Federal, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Paraná, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e Sergipe já zeraram a cobrança para elétricos puros. A Bahia também adota o IPVA zero, mas restringe o teto para modelos de até R$ 300 mil;
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Benefícios Progressivos: Alagoas abate o imposto no primeiro ano de emplacamento de novos e reduz as taxas subsequentes; no Amapá, o regime temporário vigora até o fim de 2026;
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Descontos Parciais: Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Goiás utilizam tabelas diferenciadas ou sistemas de restituição de cotas com base em critérios de eficiência energética.
Em algumas praças, os incentivos governamentais são estendidos também para os modelos híbridos (que mesclam motor a combustão e elétrico), enquanto outras regiões afunilam o imposto zero estritamente para as motorizações 100% elétricas.
Explosão de vendas impulsiona novas leis
A urgência dos governos estaduais em modernizar a legislação tributária acompanha o ritmo aquecido das concessionárias nacionais. Dados consolidados pela Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) revelam que o mercado nacional absorveu 215.023 unidades de veículos elétricos e híbridos apenas no primeiro semestre de 2026. O volume representa uma impressionante disparada de 147,5% em comparação com o mesmo intervalo mapeado no ano anterior.
O recorte isolado das montadoras que fabricam modelos estritamente elétricos (BEV) sinaliza uma revolução ainda mais veloz nas ruas: foram 90.626 novos emplacamentos de janeiro a junho, computando uma elevação de 196,4% frente à primeira metade de 2025. No topo do ranking corporativo de vendas, a chinesa BYD consolidou sua liderança isolada com a venda de 58.144 unidades no país, escoltada pela Geely, com 16.125 veículos, e pela General Motors, que garantiu 5.061 registros de veículos elétricos novos.