Trecho da Transnordestina em obras; ferrovia já alcança 80% de execução.
(Imagem: Michel Corvello/Ministério dos Transportes)
Maior obra de infraestrutura do Nordeste
A Ferrovia Transnordestina está com 80% das obras concluídas e tem previsão de entrega total até 2027, segundo o Ministério dos Transportes.
Com mais de 1.200 quilômetros de extensão, a ferrovia atravessará 53 municípios em três estados do Nordeste. O investimento total é de R$ 14,9 bilhões, dos quais R$ 11,3 bilhões já foram aplicados.
Considerada a maior obra de infraestrutura da região, o projeto é aguardado há mais de seis décadas e tem como foco o fortalecimento do transporte de cargas.
Rota e municípios atendidos
A linha principal terá 1.206 quilômetros, sendo 727 já finalizados, além de 73 quilômetros em ramais secundários.
A ferrovia ligará Eliseu Martins, no Piauí, ao Porto do Pecém, no Ceará.
Distribuição por estado:
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28 municípios no Ceará;
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18 municípios no Piauí;
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7 municípios em Pernambuco.
Recentemente, o secretário Nacional de Transporte Ferroviário, Leonardo Ribeiro, vistoriou um trecho de 97 quilômetros que passa por cidades cearenses como Baturité, Aracoiaba, Redenção e Caucaia.
Impacto na economia e no meio ambiente
A Transnordestina será voltada ao transporte de cargas, especialmente grãos, fertilizantes, cimento, combustíveis e minério. A conexão com o Porto do Pecém facilitará o escoamento da produção para o mercado externo.
A primeira viagem-teste ocorreu em dezembro de 2025, transportando milho de Bela Vista do Piauí até Iguatu.
Além de impulsionar o desenvolvimento regional, o modal ferroviário é considerado mais eficiente e sustentável, contribuindo para a redução da emissão de gases poluentes.
Projeto histórico
A demanda por uma ferrovia estruturante no Nordeste remonta à década de 1950. A construção original começou em 1959, mas foi interrompida por inviabilidade econômica.
O projeto atual teve início em 2006, durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, com previsão inicial de entrega em 2010. Após anos de paralisações, as obras foram retomadas em 2024 e seguem em ritmo acelerado.
Especialistas apontam que grandes ferrovias costumam estimular a instalação de terminais logísticos, portos secos e novos empreendimentos privados ao longo de seu traçado, gerando empregos e ampliando a competitividade regional.