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Sex, 11 de Setembro
Setor Elétrico

Governo antecipa 1,8 GW de energia para blindar sistema contra o El Niño

O governo antecipou 1,8 GW de energia para proteger o sistema elétrico dos impactos do El Niño e evitar disparada de preços com usinas térmicas de emergência.

23 jul 2026 - 08h38 Joice Gomes   atualizado às 08h39
Governo antecipa 1,8 GW de energia para blindar sistema contra o El Niño Linhas de transmissão de energia elétrica sob céu carregado: planejamento tenta mitigar efeitos do clima extremo. (Imagem: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

O governo brasileiro decidiu antecipar a ativação de 1,8 gigawatts (GW) de energia extra a partir de 1º de setembro para blindar o sistema elétrico nacional contra os impactos severos do El Niño. A decisão estratégica visa garantir o abastecimento de lares e indústrias antes do período mais crítico de calor.

A medida, recomendada pelo Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), evita que o país precise acionar usinas de última hora no mercado livre. Segundo estudos oficiais, o uso dessas usinas sem contrato prévio custa pelo menos 25% mais caro, pesando diretamente no bolso do consumidor.

Com a iminência de um dos fenômenos climáticos mais severos das últimas décadas, o planejamento busca neutralizar a redução da vazão das hidrelétricas do Norte e o aumento repentino no consumo de energia provocado pelas altas temperaturas.

O que está por trás da decisão preventiva

A antecipação envolve cinco usinas vencedoras dos leilões de reserva de capacidade realizados em março deste ano. Trazer essa energia para o sistema antes do prazo original funciona como um escudo contra instabilidades internas e externas.

Além das questões climáticas, o Ministério de Minas e Energia destacou que o atual cenário geopolítico global e a oscilação nos preços dos combustíveis fósseis influenciaram a medida. Depender de térmicas caras e sem contrato em tempos de instabilidade internacional traria riscos econômicos desnecessários.

Como o El Niño ameaça o sistema elétrico

Os dados científicos justificam o alerta máximo do governo. De acordo com a agência climática norte-americana (NOAA), há 81% de chance de o El Niño atingir a categoria de 'muito forte' até o fim de dezembro, o que o tornaria o mais intenso desde 1950.

O aquecimento incomum das águas do Oceano Pacífico altera o regime de chuvas e de ventos em todo o país. Na prática, isso esvazia os reservatórios de hidrelétricas cruciais no Norte e eleva drasticamente a demanda por refrigeração nas regiões metropolitanas.

O que pode acontecer a partir de agora

O cenário internacional serve de espelho para os desafios que o Brasil enfrentará. Recentemente, a Europa vivenciou ondas históricas de calor que paralisaram sistemas de transmissão e sobrecarregaram serviços públicos essenciais devido a extremos climáticos semelhantes.

Essa margem de segurança de 1,8 GW ajudará a sustentar a rede nacional até o início de 2027. O sucesso dessa operação preventiva, no entanto, também exigirá um monitoramento contínuo das bacias hidrográficas e uma resposta ágil do setor para evitar sobressaltos nas tarifas públicas.

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