O dólar operou em queda durante toda a tarde acompanhando a valorização das commodities no exterior.
(Imagem: Valter Campanato/Agência Brasil)
A disparada global nos preços do petróleo e o apetite contínuo de investidores estrangeiros pelos juros brasileiros provocaram uma forte queda no dólar nesta quarta-feira. A moeda americana recuou para R$ 5,053, registrando o seu menor valor de fechamento desde o início de junho.
Esse movimento de alívio no câmbio reflete diretamente no bolso dos brasileiros e no planejamento das empresas, que viram a moeda registrar a terceira queda consecutiva. O recuo ocorre mesmo diante de um cenário de tensões comerciais externas, mostrando a resiliência momentânea dos ativos locais.
No mercado acionário, o otimismo foi ainda mais evidente. O Ibovespa interrompeu uma sequência incômoda de cinco quedas consecutivas e saltou mais de 2%, impulsionado pelas gigantes de commodities que surfaram a onda de valorização internacional.
O que está por trás do recuo do dólar
O principal motor para a desvalorização do dólar frente ao real foi a forte atratividade dos títulos brasileiros. Com a taxa Selic em patamares elevados, o diferencial de juros em relação aos Estados Unidos continua atraindo um volume robusto de capital estrangeiro para o país.
De acordo com dados do Banco Central, o fluxo cambial acumulado no ano até julho atingiu a marca positiva de US$ 17,946 bilhões. Essa entrada maciça de recursos neutralizou potenciais pressões negativas, como a recente entrada em vigor do imposto de importação de 25% imposto pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. Como essa medida já era esperada, os investidores a consideraram amplamente precificada.
Mas o impacto vai além do fluxo financeiro direto. Sendo o Brasil um exportador líquido de petróleo, a escalada nos preços internacionais da commodity melhora sensivelmente as projeções para a balança comercial do país, gerando uma expectativa natural de maior entrada de divisas nos próximos meses.
Petróleo dispara com tensões no Oriente Médio
No cenário externo, os contratos futuros do petróleo fecharam em forte alta pelo quarto dia seguido. O barril do tipo Brent, referência internacional, subiu 3,36%, cotado a US$ 94,07, enquanto o WTI avançou para US$ 86,83.
O estopim para essa valorização expressiva foi a escalada nas tensões geopolíticas entre os Estados Unidos e o Irã, além das ameaças do grupo Houthi, no Iêmen, a rotas marítimas vitais para o comércio global. O temor de bloqueios nos estreitos de Ormuz e Bab-el-Mandeb acendeu o alerta sobre possíveis interrupções na oferta física da commodity.
Como isso afeta as ações na Bolsa brasileira
Com o petróleo nas alturas, as ações da Petrobras lideraram o volume de negócios na Bolsa brasileira. Os papéis ordinários da estatal avançaram 2,39%, enquanto os preferenciais subiram 2,21%, consolidando a recuperação do Ibovespa, que fechou aos 177.547,57 pontos.
Além do setor de energia, as mineradoras e as grandes instituições financeiras também registraram forte recuperação. Analistas apontam que a Bolsa brasileira voltou a atrair estrangeiros pelo seu valuation atrativo, configurando uma excelente relação de risco e retorno em comparação com os mercados de Nova York, que fecharam o dia no vermelho.
O desfecho das próximas semanas dependerá do delicado equilíbrio geopolítico internacional e das sinalizações de política monetária das principais economias. Por ora, o fôlego extra do petróleo e o fluxo estrangeiro sustentam um cenário mais favorável para o real e para as ações brasileiras, oferecendo um alento estratégico aos investidores locais.