Campanha de multivacinação em São Paulo busca ampliar imunização contra o sarampo e outras doenças infecciosas.
(Imagem: Divulgação)
O avanço do sarampo voltou a acender o alerta em São Paulo e reforçou a necessidade de crianças, adolescentes e adultos conferirem se a vacinação está em dia. Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil confirmou 29 casos da doença em 2026 até a semana epidemiológica 35. Desse total, 28 foram registrados no estado de São Paulo.
Entre os casos paulistas, dois ocorreram em São Bernardo do Campo, um em Guarulhos e os demais na capital. O outro caso confirmado no país foi registrado no Rio de Janeiro. De acordo com o Ministério da Saúde, parte das ocorrências em São Paulo esteve associada a viagens internacionais, enquanto outras seguem com fonte de infecção desconhecida.
Apesar do aumento, o Brasil mantém o status de país livre da circulação endêmica do sarampo, recertificado pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) em novembro de 2024. O próprio Ministério da Saúde ressalta que casos isolados, importados ou relacionados à importação não significam, por si só, o retorno da circulação endêmica, mas exigem vigilância e altas coberturas vacinais.
Adultos também precisam conferir a vacinação
A vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, está disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS). O esquema varia conforme a idade e o histórico vacinal.
Pessoas com até 29 anos que não tenham comprovação do esquema completo devem receber duas doses da tríplice viral, com intervalo de pelo menos 30 dias entre elas. Para adultos de 30 a 59 anos sem comprovação de vacinação completa, a recomendação é de uma dose.
Trabalhadores da saúde devem ter duas doses comprovadas, independentemente da idade, por estarem mais expostos ao contato com pessoas potencialmente infectadas.
Quem já possui o esquema completo de acordo com a faixa etária não precisa reiniciar a vacinação. Em caso de dúvida, a orientação é levar a caderneta a uma Unidade Básica de Saúde (UBS) para avaliação.
Crianças têm esquema específico
No calendário de rotina, a primeira dose contra o sarampo é indicada aos 12 meses e a segunda aos 15 meses. Em situações de maior risco de circulação do vírus, as autoridades de saúde podem adotar estratégias adicionais.
Em São Paulo, diante da cadeia de transmissão identificada, o Ministério da Saúde recomendou a ampliação da vacinação nos municípios de São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo, incluindo a chamada “dose zero” para crianças de 6 a 11 meses. Essa aplicação é adicional e não substitui as doses previstas no calendário regular aos 12 e 15 meses.
Quem não deve tomar a tríplice viral
A vacina tríplice viral é contraindicada durante a gestação. Mulheres que estejam grávidas e não tenham esquema completo devem procurar orientação da equipe de saúde para atualização no período adequado após a gestação.
Também há contraindicação para pessoas com imunossupressão grave e para quem tenha histórico de reação alérgica grave a componentes da vacina. Nesses casos, a avaliação deve ser feita por profissional de saúde antes da imunização.
Sarampo cresce nas Américas
O alerta brasileiro ocorre em um cenário de forte crescimento do sarampo no continente. Segundo relatório da OPAS publicado em setembro, as Américas somavam 51.027 casos confirmados entre o início do ano e a semana epidemiológica 33, encerrada em 22 de agosto de 2026.
O número representa um aumento de 4,6 vezes em relação ao mesmo período de 2025. A OPAS contabilizou ainda 55 mortes na região. Guatemala, México, Estados Unidos e Canadá concentravam 96% dos casos confirmados.
A organização recomendou aos países reforçar a vacinação, a vigilância epidemiológica e a resposta rápida a casos suspeitos, especialmente diante de falhas de cobertura vacinal e do aumento da circulação internacional de pessoas.
Quais são os sintomas do sarampo
O sarampo é uma doença viral altamente contagiosa. Os principais sinais incluem febre alta, manchas vermelhas na pele que costumam começar na cabeça e avançar pelo corpo, tosse seca, coriza e irritação nos olhos.
Pessoas com sintomas compatíveis devem procurar atendimento de saúde e informar a suspeita antes de permanecer em locais com outras pessoas, já que o vírus pode se espalhar com facilidade entre indivíduos suscetíveis.
A principal forma de prevenção continua sendo a vacinação. O Ministério da Saúde orienta que a população verifique a caderneta e procure uma unidade de saúde caso tenha dúvidas sobre doses anteriores ou necessidade de atualização do esquema.