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SAÚDE OCULAR

Retinopatia diabética pode avançar sem sintomas e ameaçar a visão; saiba quando fazer exames

Retinopatia diabética pode evoluir sem sintomas no início. Diretrizes recomendam rastreamento da retina e acompanhamento regular para reduzir o risco de perda visual.

11 set 2026 - 17h13 Joice Gomes   atualizado em 12/09/2026 às 18h22
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Retinopatia diabética pode avançar sem sintomas e ameaçar a visão; saiba quando fazer exames Retinopatia diabética entenda condição ocular causada pelo diabetes. (Imagem: CBO/Divulgação)

A retinopatia diabética, uma das complicações do diabetes, pode comprometer a visão de forma progressiva e, em quadros avançados, levar à cegueira. O problema merece atenção porque costuma não provocar sintomas no início, justamente quando o rastreamento e o acompanhamento médico podem identificar alterações antes de uma perda visual importante.

Em reportagem publicada neste sábado (12) pela Agência Brasil, especialistas do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) e da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) reforçaram que o diabetes pode lesar os vasos sanguíneos da retina, tecido localizado no fundo do olho e responsável por captar a luz. A orientação é que pessoas com diabetes mantenham acompanhamento oftalmológico regular, com frequência definida de acordo com o tipo de diabetes, o tempo de doença e a presença ou não de alterações na retina.

O que é a retinopatia diabética

A retinopatia diabética é uma complicação microvascular provocada pelo diabetes. Com o passar do tempo, níveis elevados de glicose no sangue podem danificar os pequenos vasos que irrigam a retina. Esses vasos podem ficar mais permeáveis, provocar extravasamento de líquido e sangue ou sofrer obstruções.

Nos estágios iniciais, chamados de retinopatia diabética não proliferativa, podem surgir pequenas alterações vasculares sem perda perceptível da visão. Em fases mais avançadas, a falta de oxigenação da retina pode estimular o crescimento de novos vasos sanguíneos frágeis, característica da forma proliferativa. Esses vasos podem sangrar para dentro do olho e favorecer complicações como descolamento de retina.

Outra complicação importante é o edema macular diabético, causado pelo acúmulo de líquido na mácula, região central da retina responsável pela visão de detalhes. O quadro pode ocorrer em diferentes fases da retinopatia e comprometer a acuidade visual.

Diabetes está mais frequente nas capitais brasileiras

O aumento do número de pessoas com diabetes torna o rastreamento das complicações oculares ainda mais relevante. Dados do Vigitel Brasil 2006-2024, do Ministério da Saúde, mostram que a frequência de adultos que relataram diagnóstico médico de diabetes no conjunto das capitais dos 26 estados e no Distrito Federal passou de 5,5% em 2006 para 12,9% em 2024. O indicador mais que dobrou no período.

O Vigitel monitora adultos com 18 anos ou mais por inquérito telefônico, portanto o dado representa a proporção de entrevistados que informaram já ter recebido diagnóstico médico de diabetes e não uma estimativa de todos os casos existentes no país, inclusive os ainda não diagnosticados.

O Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Retinopatia Diabética, do Ministério da Saúde, reúne estimativas de que a complicação possa afetar cerca de uma em cada três pessoas com diabetes. Para o Brasil, o documento registra estimativas de acometimento entre 24% e 39% da população com diabetes e de aproximadamente 2 milhões de casos. Esses números reforçam a importância da detecção precoce, sobretudo porque a perda visual pode não estar presente nos estágios iniciais.

Quais sinais podem aparecer

Segundo o National Eye Institute, dos Estados Unidos, a retinopatia diabética pode não causar nenhum sintoma no começo. Quando a doença progride, podem surgir visão embaçada e pontos ou manchas flutuantes no campo visual. Em estágios avançados, pode ocorrer perda importante da visão.

A ausência de sintomas não significa que a retina esteja livre de alterações. Por isso, esperar a visão piorar para procurar avaliação é uma estratégia arriscada. Pessoas com diabetes devem seguir o calendário de rastreamento indicado pelo médico e procurar atendimento antes do retorno programado caso percebam mudança nova ou súbita na visão.

Quando fazer o exame da retina

A Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes de 2026 recomenda que adultos com diabetes tipo 1 iniciem o rastreamento da retinopatia após cinco anos de duração da doença. Para pessoas com diabetes tipo 2, a avaliação da retina deve começar no momento do diagnóstico, já que o diabetes pode ter se desenvolvido por algum tempo antes de ser identificado.

Após a primeira avaliação, a SBD recomenda acompanhamento anual quando não há retinopatia ou quando as alterações são leves. Nos casos moderados ou graves, as revisões devem ser mais frequentes, conforme avaliação do oftalmologista.

O exame inicial deve ser feito com dilatação das pupilas e incluir avaliação do fundo do olho. Entre as estratégias previstas estão o mapeamento de retina, a biomicroscopia de fundo e a retinografia, que registra fotografias padronizadas da retina. A diretriz também considera a fotografia retiniana com leitura remota uma ferramenta capaz de ampliar o acesso ao rastreamento em locais onde há menos especialistas.

Na gestação, os cuidados precisam ser reforçados quando a mulher já tinha diabetes antes de engravidar. O protocolo do Ministério da Saúde prevê avaliação oftalmológica mais frequente e recomenda exame trimestral para gestantes com diabetes, além do acompanhamento definido pela equipe responsável pelo pré-natal.

Controle do diabetes ajuda a proteger a visão

O risco de retinopatia está associado ao tempo de convivência com o diabetes e ao controle metabólico. Manter a glicemia dentro das metas individualizadas pelo profissional de saúde, controlar a pressão arterial e tratar alterações de colesterol e triglicerídeos quando indicado são medidas importantes para reduzir o risco de surgimento ou progressão da doença ocular.

Hábitos como alimentação equilibrada, prática regular de atividade física e uso correto dos medicamentos prescritos também fazem parte do cuidado global com o diabetes. O acompanhamento deve ser contínuo, porque a proteção da visão depende tanto do controle da doença de base quanto da identificação precoce das alterações oculares.

Tratamento depende do estágio da doença

Quando a retinopatia é identificada, a conduta varia conforme a gravidade e a presença de edema macular. A diretriz da SBD recomenda encaminhamento para oftalmologista com experiência em retina nos casos de edema macular, retinopatia não proliferativa grave ou retinopatia proliferativa.

Para formas proliferativas e alguns casos graves, a fotocoagulação a laser pode ser indicada para reduzir o risco de perda visual. No edema macular diabético que envolve o centro da mácula e provoca redução da acuidade visual, medicamentos aplicados dentro do olho, como agentes anti-VEGF, são uma das principais opções terapêuticas.

Em situações específicas, como hemorragia vítrea persistente ou descolamento de retina envolvendo áreas importantes para a visão, pode ser necessária a vitrectomia, procedimento cirúrgico realizado por especialista. A escolha entre observação, medicamentos, laser ou cirurgia depende das características de cada caso e não deve ser feita sem avaliação oftalmológica.

Perda de visão não é inevitável

Especialistas ouvidos pela Agência Brasil destacam que ter diabetes não significa necessariamente perder a visão. O maior risco está relacionado à doença sem diagnóstico, ao controle inadequado e à falta de acompanhamento. Com controle clínico, rastreamento periódico e tratamento das alterações quando necessário, é possível reduzir de forma importante o risco de complicações graves.

Quem já recebeu diagnóstico de diabetes deve incluir a saúde dos olhos na rotina de acompanhamento, mesmo quando enxerga normalmente. A retinopatia diabética pode ser silenciosa por bastante tempo, e a avaliação da retina é a principal forma de encontrar alterações antes que elas se transformem em perda visual permanente.

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