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Qua, 10 de Junho
Polêmico

Gilmar Mendes critica CPI e diz não haver base para indiciar ministros

14 abr 2026 - 23h21 Alexsander Arcelino
Ministro Gilmar Mendes durante sessão no Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes questiona legalidade de indiciamento de ministros por CPI (Imagem: Antônio Augusto STF)

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, afirmou que não há base legal para que uma Comissão Parlamentar de Inquérito possa indiciar integrantes da própria Corte por crimes de responsabilidade. A declaração foi feita após a divulgação do relatório final da CPI do Crime Organizado.

O documento, elaborado pelo senador Alessandro Vieira, inclui pedidos de indiciamento contra ministros do STF, entre eles Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e o próprio Gilmar Mendes, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet.

Questionamento sobre competência da CPI

Gilmar Mendes criticou o conteúdo do relatório e questionou os limites de atuação das CPIs. Segundo ele, o indiciamento é uma atribuição exclusiva da autoridade policial e não se aplica a crimes de responsabilidade.

De acordo com o ministro, esse tipo de crime é regulado por legislação específica, que estabelece que apenas o Senado Federal possui competência para processar e julgar essas situações, sem previsão de participação de comissões parlamentares nesse procedimento.

Ele também afirmou que a tentativa de responsabilizar ministros do STF nesse contexto representa um desvio das funções da CPI.

Críticas ao relatório

Em manifestações públicas, Gilmar Mendes avaliou que o relatório ultrapassa os limites legais e pode ser interpretado como uma ação arbitrária. Para o ministro, o documento apresenta uma abordagem que não condiz com as atribuições da comissão.

Além disso, ele apontou que a iniciativa pode estar relacionada a interesses políticos, ao invés de cumprir o objetivo original da investigação.

Repercussão no STF

O ministro Flávio Dino também se posicionou sobre o caso, defendendo a atuação do Supremo Tribunal Federal. Segundo ele, é equivocado apontar a Corte como um dos principais problemas do país.

Flávio Dino destacou ainda que o relatório da CPI não teria abordado de forma efetiva questões relacionadas ao crime organizado, que seriam o foco inicial da investigação.

Próximos passos

O relatório final da CPI ainda precisa ser analisado e votado pelos integrantes da comissão. A aprovação ou rejeição do documento definirá os próximos encaminhamentos no âmbito do Congresso Nacional.

O caso deve continuar gerando debates sobre os limites de atuação das CPIs e a relação entre os poderes Legislativo e Judiciário no Brasil.

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