Declaração sobre reforma tributária gera reação entre profissionais da contabilidade.
(Imagem: Canva)
Uma declaração do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, sobre o número de contadores nas empresas brasileiras provocou forte reação de entidades e profissionais da área contábil. Durante evento recente, o ministro afirmou que há “mais contador que engenheiro” nas companhias e associou a mudança ao avanço da reforma tributária, que entrará em vigor a partir de 2027 com a implementação de um IVA totalmente digital.
A fala foi interpretada por representantes do setor como uma possível desvalorização da profissão, especialmente em um momento de transição para um novo modelo tributário.
Profissionais defendem importância técnica
O contador e especialista em recuperação tributária Anderson Souza afirmou que a simplificação do sistema não elimina a necessidade de julgamento técnico.
Segundo ele, o contador não atua apenas por causa da burocracia, mas pela complexidade das decisões empresariais e pelos riscos envolvidos. “Simplificar não elimina responsabilidade, nem reduz o impacto de erros estratégicos”, argumentou.
A contadora e tributarista Camila Oliveira também destacou que a reforma exigirá acompanhamento técnico constante, sobretudo durante o período de transição. Para ela, o contador é agente de segurança fiscal e jurídica, essencial para evitar autuações e pagamentos indevidos.
Entidades se posicionam
A Federação Nacional das Empresas de Serviços Contábeis e das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas (FENACON) divulgou nota pública de repúdio, afirmando que a declaração desconsidera a complexidade do sistema tributário brasileiro e o papel estratégico da contabilidade na economia.
Segundo a entidade, a reforma tributária ampliará e não reduzirá a necessidade de orientação especializada, planejamento e governança.
O Sescon-SP também saiu em defesa da categoria. O presidente da entidade afirmou que responsabilizar o contador pela complexidade tributária seria inverter a lógica do problema. Para ele, as empresas mantêm estruturas fiscais robustas por necessidade de sobrevivência diante de um dos sistemas tributários mais complexos do mundo.
Entre as atribuições destacadas pelas entidades estão:
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Interpretação de normas tributárias
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Organização de informações para fiscalização
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Mitigação de riscos legais
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Apoio estratégico à gestão empresarial
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Garantia de conformidade fiscal
Debate sobre a reforma
O novo modelo tributário, com base em um Imposto sobre Valor Agregado (IVA) digital, promete simplificar processos e reduzir encargos administrativos. No entanto, representantes do setor afirmam que a implementação exigirá preparo técnico e adaptação detalhada das empresas.
Para as entidades, a simplificação não elimina a necessidade de profissionais qualificados, ao contrário, reforça o papel estratégico do contador na transição e na consolidação do novo sistema.