Ministros do Brasil e da Índia discutem cooperação educacional em Nova Délhi.
(Imagem: Divulgação/MEC)
O ministro da Educação, Camilo Santana, reuniu-se nesta sexta-feira (20), em Nova Délhi, com o ministro da Educação da Índia, Dharmendra Pradhan, para discutir ações conjuntas na área educacional. O encontro ocorreu após a participação de ambos na Cúpula sobre o Impacto da Inteligência Artificial (IA).
Durante a reunião, os dois ministros abordaram temas que vão da educação básica ao ensino superior, com destaque para o uso pedagógico da internet e dos celulares nas escolas. A cooperação educacional entre Brasil e Índia também foi tratada como prioridade estratégica dentro de fóruns multilaterais como BRICS, Fórum IBAS e G20.
Mobilidade acadêmica e pesquisa
Um dos principais pontos debatidos foi a ampliação da mobilidade acadêmica na pós-graduação. Apesar de ambos os países contarem com universidades reconhecidas internacionalmente, o intercâmbio de estudantes e pesquisadores ainda é considerado abaixo do potencial.
A proposta é fortalecer a cooperação educacional por meio de parcerias em áreas estratégicas como agricultura, mineração e biomassa/etanol, estimulando pesquisa, inovação e desenvolvimento tecnológico.
O Ministério da Educação (MEC), em parceria com o Ministério das Relações Exteriores, tem buscado ampliar a presença internacional do Brasil na área acadêmica. Entre as iniciativas está a oferta de vagas para estudantes estrangeiros pelo Programa de Estudantes-Convênio de Graduação (PEC-G), que completou 60 anos.
BRICS e educação digital
Desde a assinatura da Declaração de Nova Délhi, em 2016, a educação digital passou a ser prioridade entre os países do BRICS. Em junho de 2025, durante encontro do bloco, o uso da inteligência artificial na educação esteve entre os principais temas.
Na ocasião, o MEC apresentou experiências brasileiras como a Estratégia Nacional Escolas Conectadas (Enec), a incorporação da IA ao currículo escolar e programas de formação docente voltados à transformação digital.
Outro instrumento relevante é a Rede de Universidades BRICS (BRICS-NU), criada em 2016, que atualmente reúne 178 instituições parceiras, sendo 20 brasileiras. A rede busca ampliar projetos conjuntos de pesquisa, intercâmbio de estudantes e docentes e cooperação científica.
Agenda no G20 e no IBAS
Em outubro de 2025, durante reunião de ministros do G20 realizada na África do Sul, Camilo Santana propôs a criação de uma coalizão global voltada à alfabetização na idade certa. A iniciativa também foi debatida com representantes indianos.
No âmbito do IBAS, mecanismo de cooperação entre Índia, Brasil e África do Sul criado em 2003, os países reforçaram o compromisso com a aprendizagem fundamental, incluindo educação e cuidado na primeira infância.
A declaração conjunta destacou que habilidades básicas como leitura, escrita, matemática e competências socioemocionais devem ser tratadas como prioridade global para garantir desenvolvimento inclusivo e sustentável.
Transformação digital na educação
Durante a agenda na Índia, Camilo Santana também assinou memorando de entendimento com o Instituto Internacional de Tecnologia da Informação de Bangalore (IIIT-B). O objetivo é impulsionar a transformação digital da educação brasileira, com foco em infraestruturas públicas digitais e soluções de código aberto.
O acordo prevê projetos-piloto, transferência de conhecimento técnico e desenvolvimento de capacidades institucionais. A parceria poderá contribuir para o avanço da política nacional de governança digital aplicada à educação.
O ministro integra a comitiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em agendas oficiais na Índia. Os compromissos seguem até sábado (21), com reuniões com autoridades locais e participação em debates internacionais sobre inteligência artificial.