Moeda americana perdeu força diante do real pelo terceiro pregão consecutivo nesta segunda-feira
(Imagem: Foto: © Valter Campanato/Agência Brasil)
O mercado financeiro operou em ritmo de ajustes e apresentou um desempenho divergente nesta segunda-feira (6). Em uma sessão de agenda de indicadores esvaziada no ambiente doméstico, o dólar comercial engatou a sua terceira queda consecutiva, retrocedendo ao seu menor patamar de fechamento em quase três semanas. Por outro lado, a bolsa de valores brasileira seguiu o caminho oposto e registrou perdas, descolando-se do viés positivo observado nos índices acionários de Nova York.
A moeda norte-americana encerrou os negócios do dia cotada a R$ 5,132 para venda, registrando o menor valor desde o dia 17 de junho. Com o recuo recente, a divisa acumula uma baixa de 0,60% nos primeiros pregões de julho e uma desvalorização expressiva de 6,50% frente ao real no acumulado do ano de 2026. Já o Ibovespa, principal indicador da B3, fechou em queda de 0,93%, fixado aos 172.447,58 pontos, devolvendo parte dos ganhos consolidados na semana anterior.
Commodities sustentam o real, investidores miram o Fed
Diante da falta de notícias econômicas de peso no cenário interno, o fluxo cambial foi ditado pelo forte desempenho das exportações do país. A entrada de moeda estrangeira na economia foi impulsionada pela valorização internacional de commodities agrícolas e minerais importantes, como a soja e o minério de ferro, somada aos recordes recentes nos embarques de carne brasileira para o exterior. A perda de tração global do bilhete verde também colaborou para o fortalecimento do real, mantendo o índice DXY que mede o dólar contra uma cesta de moedas fortes em estabilidade.
No horizonte dos operadores de câmbio, o principal foco de atenção internacional é a divulgação da ata da última reunião de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), agendada para a próxima quarta-feira (8). O documento é considerado crucial para antecipar os próximos passos da taxa de juros na maior economia do planeta.
Risco fiscal e eleições pesam sobre o Ibovespa
A retração do Ibovespa ocorreu na contramão de Wall Street, onde os mercados acionários fecharam em alta expressiva, sustentados pelo rali de grandes companhias ligadas ao setor de tecnologia e inteligência artificial. Essa forte atratividade dos ativos norte-americanos tem concentrado o fluxo de capital estrangeiro nos Estados Unidos, esvaziando o interesse de investidores globais por praças financeiras emergentes, como a do Brasil.
No panorama doméstico, um conjunto de fatores locais elevou a aversão ao risco e a cautela dos agentes:
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A proximidade do processo eleitoral de 2026;
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Preocupações crescentes com a sustentabilidade da política fiscal do país no horizonte pós-2027;
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O início das audiências do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) avaliando práticas de comércio do Brasil.
Além da ata do Fed, o mercado local aguarda a divulgação oficial do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de junho, que será apresentado na sexta-feira (10) e deve calibrar as apostas para os rumos da taxa Selic.
Petróleo tem leve baixa no exterior
No front das commodities energéticas, os contratos futuros do petróleo fecharam o dia em terreno negativo. Os preços foram pressionados pela decisão da Opep+ de ampliar a oferta global de óleo bruto a partir de agosto, pela normalização do fluxo de navios cargueiros no Estreito de Ormuz e pela elevação das exportações por parte da Rússia. O barril do tipo Brent caiu 0,18%, negociado a US$ 71,99, enquanto o WTI recuou 0,20%, cotado a US$ 68,55.