Caixa deve publicar em breve edital do processo seletivo 2026.
(Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
A divisão de habitação da Caixa Econômica Federal projeta mais um período de forte expansão para o crédito imobiliário nacional em 2026. Mesmo diante de um cenário macroeconômico de cautela e da perspectiva de uma redução mais lenta na taxa básica de juros (Selic), a instituição prevê um avanço robusto em seus financiamentos, ancorado no desempenho do programa Minha Casa Minha Vida.
“A gente quer fechar o ano crescendo nessa faixa de 30% em crédito concedido total, somando pessoa física e jurídica”, revelou Raul Gomes, superintendente nacional de Habitação Pessoa Jurídica da Caixa, em entrevista exclusiva concedida ao portal InfoMoney durante o evento Construsummit, em Florianópolis.
O otimismo coincide com um momento histórico para a empresa pública, cuja carteira ativa de financiamento habitacional atingiu a marca histórica de R$ 1 trilhão. Atualmente, a Caixa opera em ritmo recorde, chancelando cerca de 3 mil novos contratos habitacionais por dia e liberando mais de R$ 1 bilhão diariamente para o setor.
Gomes ressaltou a liderança isolada da instituição, especialmente no nicho focado na população de baixa renda. De acordo com o executivo, enquanto a Caixa realiza milhares de operações diárias, o somatório dos demais grandes bancos privados do país não ultrapassa a faixa de 100 a 200 contratos no mesmo segmento de interesse social.
Expansão divide-se entre construtoras e compradores
O avanço dos indicadores financeiros distribui-se de forma equilibrada entre as duas pontas do mercado imobiliário:
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Financiamento à produção (Pessoa Jurídica): O banco liberou R$ 69 bilhões para construtoras erguerem novos empreendimentos no ano passado, com projeção de alcançar R$ 80 bilhões em 2026 (alta de 15%);
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Financiamento ao comprador (Pessoa Física): O crescimento mostrou-se ainda mais acelerado, registrando uma alta de 30% no primeiro trimestre do ano em comparação com o mesmo período do ano anterior.
Desafios na maturação da Faixa 4
Apesar da tração gerada por novas políticas públicas, como o programa Casa Reforma Brasil, a chamada Faixa 4 voltada para o atendimento da classe média ainda busca o ponto ideal de equilíbrio. Entre janeiro e maio de 2026, a Caixa fechou contratos para 20,9 mil imóveis nessa categoria, movimentando R$ 6 bilhões. Embora o montante represente um salto de 40% em valores concedidos, o volume total ainda é considerado tímido devido à base comparativa baixa.
O superintendente explicou que a consolidação da classe média no programa habitacional depende diretamente de um ajuste fino entre a demanda dos compradores e a oferta das construtoras. "A produção tem que vir junto. Se o cliente hoje tem renda de R$ 13 mil, mas não encontra um imóvel disponível dentro daquela faixa de preço, ele não consegue acessar o programa", ponderou, lembrando que as faixas de menor renda evoluem mais rápido devido ao volume de subsídios disponíveis.
Blindagem contra a Selic e estabilidade nos atrasos
A grande vantagem competitiva do Minha Casa Minha Vida reside na sua independência das oscilações da política monetária do Banco Central. Como os juros cobrados do consumidor final são atrelados às regras específicas do FGTS, o programa funciona como um "porto seguro" para o mercado imobiliário. Por outro lado, Gomes admitiu que o segmento de médio e alto padrão que depende de outras fontes de custeio sofreu um desaquecimento natural decorrente da manutenção dos juros restritivos.
No quesito inadimplência, o banco opera em patamares de segurança e estabilidade. O índice de contratos com atrasos superiores a 90 dias fechou o mês de março em 1,56%. O número apresenta uma leve flutuação em relação ao ano anterior (1,42%), mas mantém-se abaixo dos índices registrados em 2024 (1,73%) e 2023 (2,04%).
Para evitar a retomada forçada de imóveis e garantir a sustentabilidade dos contratos no orçamento doméstico, a Caixa mantém critérios rigorosos de concessão, limitando o valor das parcelas mensais a, no máximo, 30% da renda bruta familiar apresentada.