Importação de diesel volta ao centro do debate com pressão por mais atuação da Petrobras para reforçar a oferta e reduzir riscos ao mercado.
(Imagem: Agência Petrobras/Geraldo Falcão)
A Petrobras anunciou nesta quarta-feira (1º) uma redução de 14,5% no preço de venda do querosene de aviação (QAV) para as empresas distribuidoras. O reajuste, que ocorre tradicionalmente no primeiro dia de cada mês, marca a segunda queda consecutiva no valor do insumo. Na prática, a mudança representa um alívio de R$ 0,81 por litro nas refinarias da estatal, onde os novos preços praticados passam a oscilar entre R$ 4,67 e R$ 4,93 por litro.
De acordo com o comunicado da petroleira, a retração foi viabilizada diretamente pela atenuação das tensões geopolíticas no Oriente Médio. O recente acordo de cessar-fogo parcial na região estabilizou o mercado internacional de commodities, reduzindo a pressão sobre os preços do petróleo cru e de seus derivados refinados.
Apesar do alívio recente, o cenário acumulado no ano ainda exige cautela das empresas de transporte aéreo. O QAV encerra o primeiro semestre com uma alta expressiva de 40,5% em comparação aos patamares do final de 2025 o que significa que o combustível utilizado em aviões e helicópteros está R$ 1,39 por litro mais caro do que em dezembro do ano passado.
Histórico da crise e impacto no mercado interno
A disparada histórica de preços teve início no fim de fevereiro de 2026, impulsionada pelo conflito armado envolvendo os Estados Unidos, Israel e o Irã. O principal gargalo logístico e comercial foi o bloqueio temporário do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais vitais do planeta, por onde transitava cerca de um quinto da produção global de óleo e gás antes do início das hostilidades. A escassez repentina de oferta inflacionou os preços no mundo todo.
Mesmo com o Brasil operando em altos níveis de produção interna de petróleo, o preço final do refino nacional acompanha a paridade internacional, já que o petróleo é precificado globalmente em dólares.
A oscilação do mercado nos últimos meses reflete o tamanho do impacto sofrido pelo setor aéreo:
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Abril: Alta recorde de 55% no preço do QAV;
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Maio: Novo avanço de 18% (período em que a Petrobras permitiu o parcelamento dos pagamentos pelas distribuidoras para mitigar a crise de caixa das companhias aéreas);
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Junho: Início da recuperação com queda de 14,2%;
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Julho: Consolidação da baixa com recuo de 14,5%.
Esta estabilização no preço das commodities internacionais também permitiu que o governo federal iniciasse, nesta mesma data, a retirada gradual dos subsídios e desonerações emergenciais que haviam sido implementados para amortecer o impacto dos combustíveis junto ao consumidor final.
Como funciona o mercado de QAV
A Petrobras é responsável por abastecer cerca de 85% do mercado nacional de querosene de aviação, comercializando o combustível que é extraído e refinado em suas plantas ou importado para complementar a demanda.
A partir da venda na refinaria, as distribuidoras privadas assumem o transporte, a logística de armazenamento e a revenda final nos aeroportos para companhias comerciais e proprietários de aeronaves. Vale destacar que, embora a estatal detenha a maior fatia de mercado, o setor de combustíveis de aviação no Brasil opera sob regime de livre concorrência, permitindo que outros players atuem livremente como produtores ou importadores independentes.