Novas versões da semaglutida prometem baratear o tratamento para obesidade no Brasil.
(Imagem: gerado por IA)
A era do domínio absoluto do Ozempic no mercado brasileiro de emagrecimento e controle de diabetes chegou ao fim, abrindo espaço para uma concorrência que promete derrubar preços de forma drástica. Atualmente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) tem em suas mãos 16 pedidos de registro de novas canetas à base de semaglutida, todas prontas para disputar o bolso dos pacientes e o receituário médico.
A movimentação é uma resposta direta à expiração da patente da substância no Brasil, ocorrida em março deste ano. Desde então, o setor farmacêutico iniciou uma corrida regulatória frenética para preencher a lacuna deixada pelo fármaco original da Novo Nordisk, que antes detinha o monopólio da comercialização por duas décadas.
Na prática, isso representa mais do que apenas novas marcas nas prateleiras; é o início de um processo de democratização do tratamento. O primeiro reflexo real já é sentido com o Ozivy, da brasileira EMS, que chegou às farmácias custando cerca de metade do valor do medicamento referência, com doses a partir de R$ 497 mensais.
O que muda na prática com a nova concorrência
Dos 18 pedidos submetidos originalmente à agência, um já foi aprovado e outro reprovado. Os 16 restantes aguardam o sinal verde, sendo que seis já estão em fase avançada de análise técnica. Entre os nomes que podem surgir em breve está o Semavy, da Hypera Pharma, que já iniciou os protocolos para definição de preço junto aos órgãos reguladores nacionais.
Mas o impacto vai além do setor privado. Essa enxurrada de novos registros força uma reestruturação de preços que pode, finalmente, abrir as portas do Sistema Único de Saúde (SUS) para esses medicamentos. Até então, o custo bilionário era o principal entrave para a incorporação pública das canetas emagrecedoras em larga escala.
E é aqui que está o ponto central: a natureza desses novos produtos. A Anvisa explica que os pedidos se dividem entre análogos sintéticos e biossimilares. Enquanto os biossimilares são cópias de produtos biológicos, os sintéticos são produzidos por processos químicos que garantem moléculas menores, mais estáveis e fáceis de fabricar em massa.
O futuro da semaglutida e o acesso no SUS
Apesar do otimismo, a aprovação pela Anvisa não garante a entrada imediata no sistema público. A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) ainda mantém cautela devido ao impacto orçamentário. Em 2025, o custo estimado para o governo superava os R$ 8 bilhões, valor que quase dobra o orçamento total do programa Farmácia Popular.
Contudo, a pressão do mercado está surtindo efeito. A própria fabricante original já propôs um desconto de 59% para tentar incluir sua versão na rede pública em tratamentos contra a obesidade. Somado à chegada de concorrentes nacionais, o cenário para o paciente brasileiro nunca foi tão dinâmico, sinalizando uma queda gradual na barreira financeira do tratamento.
No fim das contas, a quebra dessa exclusividade encerra um ciclo de altos preços e inicia uma fase de maior soberania farmacêutica para o Brasil. A expectativa é que, com mais opções aprovadas nos próximos meses, a semaglutida deixe de ser um item de exclusividade para se tornar uma ferramenta de saúde acessível a milhões de brasileiros que lutam contra doenças metabólicas.