O programa Periferias Fortes busca impulsionar a potência econômica e social de favelas e comunidades em oito estados do Nordeste.
(Imagem: gerado por IA)
O Nordeste brasileiro acaba de ganhar um reforço estratégico para transformar a realidade de suas comunidades mais vulneráveis. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) abriu as inscrições para o edital Periferias Fortes – Nordeste, que vai injetar mais de R$ 17 milhões em projetos sociais e coletivos que atuam diretamente na ponta, onde a potência criativa é imensa, mas o acesso ao capital ainda é um desafio.
A iniciativa, realizada em parceria com o Instituto Ekloos, selecionará 85 projetos distribuídos por Alagoas, Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe. Na prática, isso muda mais do que parece: além do aporte financeiro que pode chegar a R$ 300 mil por iniciativa, os selecionados passarão por um processo rigoroso de profissionalização e mentoria.
Diferente de seleções tradicionais, o edital acolhe tanto organizações sem fins lucrativos já formalizadas quanto coletivos que ainda não possuem CNPJ. O objetivo central é descentralizar o recurso e garantir que ele chegue às lideranças que conhecem os problemas locais melhor do que ninguém, promovendo o que o banco chama de inclusão produtiva.
O que muda na prática para as comunidades
O impacto do edital vai além do repasse financeiro imediato. Ao longo de seis meses, os selecionados participarão de uma trilha de formação intensiva. Especialistas do Instituto Ekloos conduzirão mentorias sobre gestão de projetos, transparência, captação de recursos e até o uso de inteligência artificial no terceiro setor. Esse conhecimento é o que permite que um pequeno projeto local se torne uma instituição autossustentável a longo prazo.
Para garantir que a jornada de capacitação seja viável para quem vive a realidade da periferia, o programa prevê a concessão de bolsas de incentivo para os representantes das iniciativas. É um reconhecimento de que o tempo dedicado à formação é valioso e precisa de suporte para acontecer de forma plena.
Outro ponto central é o foco na diversidade. O programa prioriza organizações lideradas por mulheres, jovens, pessoas negras e, principalmente, moradores das próprias comunidades. É uma tentativa de inverter a lógica de auxílio externo e fomentar o protagonismo local.
Por que o investimento no Nordeste é estratégico agora
A escolha do Nordeste e o foco nas periferias urbanas não são por acaso. Segundo o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, o desenvolvimento do país passa obrigatoriamente por esses territórios. Ele defende que as favelas não são apenas locais de carência, mas polos de capacidade empreendedora e soluções inovadoras que precisam de escala.
Na prática, o edital busca transformar ideias que já funcionam — em áreas como educação, saúde, esporte e geração de renda — em operações robustas. Ao formalizar coletivos e oferecer suporte técnico, o BNDES abre portas para que esses grupos acessem outras linhas de financiamento no futuro, criando um ciclo virtuoso de crescimento econômico regional.
Como participar e quais os critérios de seleção
As inscrições devem ser realizadas pela plataforma oficial do programa. O edital exige que as iniciativas comprovem histórico de atuação em seus territórios, mesmo que ainda não tenham registro jurídico. Os projetos podem abranger diversas frentes, desde serviços urbanos e meio ambiente até justiça e desenvolvimento regional.
Ao final do período de mentoria, os participantes apresentarão seus planos de sustentabilidade para uma banca avaliadora. Esse momento de "conclusão" serve para validar o amadurecimento institucional alcançado durante o processo. Com esse movimento, o BNDES sinaliza que o investimento em infraestrutura social é tão vital quanto o financiamento de grandes obras industriais.
O sucesso desta edição no Nordeste poderá servir de modelo para futuras expansões do programa Periferias Fortes, consolidando uma nova forma de o Estado dialogar com as periferias: não apenas como provedor de serviços básicos, mas como parceiro investidor do talento e da resiliência das comunidades brasileiras.