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Hegemonia Global

Coreia do Sul mobiliza US$ 1,2 trilhão para dominar mercado global de chips e IA

Coreia do Sul investe US$ 1,2 trilhão em novo polo de semicondutores e centros de dados de IA para garantir liderança global em infraestrutura tecnológica.

29 jun 2026 - 08h47 Joice Gomes   atualizado às 08h50
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Coreia do Sul mobiliza US$ 1,2 trilhão para dominar mercado global de chips e IA Samsung e SK Hynix lideram investimentos recordes em semicondutores para suprir demanda global de IA. (Imagem: gerado por IA)

A Coreia do Sul acaba de colocar na mesa uma aposta de US$ 1,2 trilhão, valor superior a dois terços de toda a riqueza produzida pelo país em um ano, para consolidar sua hegemonia na corrida global da inteligência artificial (IA). O anúncio, que movimenta o equivalente a mais de R$ 6 trilhões, não é apenas um investimento financeiro, mas uma manobra geopolítica para garantir que a quarta maior economia da Ásia se torne o alicerce indispensável da infraestrutura tecnológica mundial.

O presidente sul-coreano, Lee Jae Myung, foi direto ao definir a urgência do projeto durante um evento em Seul: "A velocidade é o único caminho para sobreviver". Segundo o mandatário, o país precisa assegurar os elementos centrais da IA antes de qualquer outro competidor global. Na prática, isso significa transformar o sudoeste do país em um gigantesco complexo industrial capaz de ditar o ritmo da oferta de semicondutores nas próximas décadas.

O coração dessa estratégia envolve as gigantes Samsung Electronics e SK Hynix, que juntas devem injetar cerca de US$ 520 bilhões na criação de um novo polo de fabricação. Esse montante recorde reflete o atual momento de 'boom' do setor, onde a demanda por chips de memória de alto desempenho disparou, impulsionada pela necessidade de processamento para sistemas de IA generativa.

O que muda na prática com o megainvestimento

Diferente de planos anteriores, este projeto foca na descentralização industrial. O governo anunciou um investimento independente de US$ 650 bilhões voltado exclusivamente para a construção de centros de dados de IA ao longo dos próximos dez anos. A meta é arrojada: atingir uma capacidade energética de 18,4 gigawatts até 2035, garantindo que o país não apenas fabrique o hardware, mas também processe a inteligência que move o mundo.

Mas o impacto vai além dos números financeiros. Ao deslocar o eixo de produção para a região sudoeste, o governo sul-coreano busca reduzir a dependência excessiva da capital, Seul. E é aqui que está o ponto central: a região foi escolhida por sua abundância em recursos de energia renovável. Para as empresas, essa é a chave para cumprir metas ambientais rigorosas enquanto operam fábricas que consomem volumes massivos de eletricidade.

Na prática, isso muda mais do que parece. O desenvolvimento desse ecossistema deve atrair uma cadeia de suprimentos global, gerando milhares de empregos altamente qualificados e transformando áreas rurais em centros de inovação tecnológica. No entanto, o desafio de infraestrutura é proporcional ao investimento, exigindo anos de construção e integração logística.

Os desafios logísticos e a questão ambiental

Apesar do otimismo econômico, o projeto enfrenta gargalos práticos significativos. A fabricação de semicondutores é uma das atividades industriais mais intensivas no uso de água no planeta. Para viabilizar as novas unidades, o governo estima que será necessário fornecer cerca de um milhão de toneladas de água industrial por dia na região sudoeste, um desafio logístico que já gera debates sobre sustentabilidade e gestão hídrica.

Especialistas alertam que construir um polo tecnológico do zero, longe dos centros já consolidados, requer um fôlego financeiro que poucas nações possuem. Além disso, a dependência global de componentes produzidos em uma única região geográfica sempre traz riscos de mercado. Entretanto, a Coreia do Sul parece disposta a assumir esses riscos para evitar a obsolescência frente a potências como os Estados Unidos e a China.

O que pode acontecer a partir disso é uma reconfiguração total das cadeias de suprimentos de tecnologia. Com o apoio estatal maciço e a expertise técnica de suas empresas, a Coreia do Sul sinaliza que não pretende ser apenas uma fornecedora de peças, mas a detentora do ecossistema onde a inteligência artificial do futuro será, de fato, processada e fabricada. O sucesso desta empreitada definirá o papel do país na economia digital do próximo século.

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