Especialistas preveem maior rigor aduaneiro sobre mercadorias brasileiras após sanção de Washington.
(Imagem: Canva)
O recente enquadramento das maiores facções criminosas brasileiras na categoria de Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO, na sigla em inglês) pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos acendeu um alerta vermelho entre analistas de mercado e pesquisadores de relações internacionais. A mudança na nomenclatura diplomática e jurídica vai muito além da retórica política e possui o potencial de gerar consequências negativas para o Brasil, afetando desde a atração de capital produtivo até o fluxo logístico das exportações de commodities e produtos manufaturados.
Impacto no grau de investimento, turismo e exportações
Cientistas políticos e economistas apontam que a rotulação do território nacional como abrigo de células terroristas altera imediatamente os questionários de conformidade (compliance) e segurança aplicados por matrizes de multinacionais e fundos de investimento estrangeiros. Esse aumento na percepção de risco regulatório e institucional pode paralisar aportes de capital, interromper transferências tecnológicas e desaquecer a geração de empregos qualificados no mercado interno.
O efeito cascata da decisão de Washington tende a se ramificar por três setores vitais da atividade econômica:
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Escrutínio Alfandegário: Cargas de exportação originadas no Brasil passarão a enfrentar barreiras não tarifárias e fiscalizações severas nos portos dos EUA e de aliados europeus, sob a alegação de prevenção a atentados ou ao tráfico;
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Retração no Turismo: O turismo de lazer e, principalmente, o turismo de negócios nas metrópoles de São Paulo e Rio de Janeiro correm o risco de sofrer forte desidratação, esvaziando a rede hoteleira, eventos corporativos e o setor de serviços;
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Subterfúgios Comerciais: Corporações estrangeiras podem se valer da nova classificação como um mecanismo protecionista para impor sanções a concorrentes brasileiros ou retaliar instituições do ecossistema financeiro nacional;
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Inovações Sob Pressão: Há o receio no meio institucional de que arranjos modernos de pagamento locais, como o Pix, entrem no alvo de investigações sob pretexto de concorrência desleal com bandeiras financeiras norte-americanas.
A distinção técnica entre crime organizado e terrorismo
Professores de economia internacional e especialistas de universidades federais ressaltam uma distorção conceitual na medida adotada pela Casa Branca. Enquanto o terrorismo internacional é classicamente movido por motivações ideológicas, religiosas e pela busca de ruptura política como no caso histórico do Estado Islâmico, as facções brasileiras operam exclusivamente sob a lógica de mercado do narcotráfico, visando ao lucro financeiro. Grupos locais não possuem apoio ideológico no exterior, estruturando suas redes transnacionais com base na compra e venda de insumos ilícitos.
Diante disso, críticos da política externa norte-americana argumentam que a inclusão das facções na lista de terrorismo não traz benefícios práticos para o combate à criminalidade nas ruas brasileiras. Em contrapartida, sugerem que uma cooperação internacional verdadeiramente eficaz por parte de Washington deveria focar no estrangulamento dos fluxos de lavagem de dinheiro. Isso incluiria uma fiscalização mais rígida sobre os paraísos fiscais caribenhos e o próprio estado norte-americano de Delaware, frequentemente utilizados por redes criminosas globais para ocultar ativos financeiros.