Levantamento aponta aumento de casos de gasolina irregular no Brasil.
(Imagem: Canva)
O preço do diesel voltou a cair no Brasil e registrou o quarto recuo em um intervalo de cinco semanas. Segundo dados divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, o combustível acumula redução de 4,5% no período recente.
Apesar da sequência de quedas, o valor ainda permanece acima do registrado antes do início da guerra no Irã, ocorrido no fim de fevereiro. Atualmente, o diesel segue cerca de 18,9% mais caro em comparação ao período anterior ao conflito.
O levantamento da ANP aponta que o litro do diesel S10 teve preço médio de R$ 7,24 na semana entre os dias 3 e 9 de maio.
O combustível é acompanhado de perto pelo setor produtivo e pelo governo devido ao impacto direto no transporte de cargas e no custo dos alimentos distribuídos pelo país.
Diesel acumula sequência de quedas nas últimas semanas
Os números da ANP mostram que o diesel apresentou estabilidade em uma semana e queda nas quatro semanas seguintes.
No fim de março, o litro do diesel S10 era vendido em média por R$ 7,57. Desde então, o valor passou por sucessivos recuos até chegar aos atuais R$ 7,24.
O diesel S500 também apresentou trajetória semelhante. O preço médio caiu de R$ 7,45 para R$ 7,05 no mesmo período, acumulando redução superior a 5%.
A principal diferença entre os dois combustíveis está na quantidade de enxofre emitida. O S10 possui menor emissão de poluentes e responde por aproximadamente 70% do consumo nacional, segundo a ANP.
Veículos leves e pesados fabricados a partir de 2012 foram adaptados para utilizar o diesel S10.
Guerra no Irã influenciou alta internacional do petróleo
Mesmo com a recente queda nos preços, o diesel ainda reflete os impactos provocados pela guerra envolvendo o Irã e países aliados.
O conflito afetou regiões estratégicas para o transporte internacional de petróleo, incluindo o Estreito de Ormuz, importante rota marítima utilizada para escoamento global de petróleo e gás natural.
Com dificuldades logísticas e redução da oferta internacional, o preço do barril do petróleo Brent disparou no mercado mundial, ultrapassando a marca de US$ 100 em diversos momentos.
Como o petróleo é negociado internacionalmente, o aumento acabou sendo sentido também no Brasil, mesmo com a produção nacional.
No caso do diesel, o país ainda depende da importação de aproximadamente 30% do combustível consumido internamente.
Medidas do governo ajudaram a conter alta
Especialistas apontam que a recente trajetória de queda no preço do diesel coincide com medidas adotadas pelo governo federal para reduzir os impactos do aumento internacional.
Entre as ações implementadas estão subsídios para produtores e importadores de diesel, além da redução de tributos federais sobre o combustível.
Desde abril, o governo passou a oferecer auxílio financeiro para empresas do setor, condicionado ao repasse do desconto para a cadeia de distribuição.
A Petrobras também teve papel importante na contenção dos preços, segundo analistas do setor de petróleo e combustíveis.
Pesquisadores avaliam que a atuação da estatal ajudou a evitar reajustes ainda maiores durante o período de maior pressão internacional nos preços do petróleo.
Mesmo com os recuos recentes, especialistas alertam que o mercado continua atento aos desdobramentos do conflito no Oriente Médio e às oscilações do barril de petróleo no cenário global.