Senadores divergem sobre impactos do Novo Desenrola no combate ao endividamento.
(Imagem: Agência Senado)
A nova fase do programa federal de renegociação de dívidas, batizada de Novo Desenrola Brasil, começou a repercutir no Senado Federal antes mesmo da instalação da comissão mista responsável por analisar a medida provisória enviada pelo governo.
Enquanto parlamentares da base governista defendem a iniciativa como uma alternativa para aliviar o endividamento das famílias brasileiras, integrantes da oposição afirmam que o programa possui efeitos limitados e não resolve problemas estruturais da economia.
O Novo Desenrola foi criado por meio da Medida Provisória 1.355 de 2026, enviada ao Congresso Nacional nesta semana. Apesar de já estar em vigor, o texto ainda precisa ser aprovado pela Câmara dos Deputados e pelo Senado dentro do prazo constitucional para continuar válido.
Governistas defendem programa
O senador Paulo Paim afirmou que o programa representa uma medida importante para ajudar milhões de brasileiros endividados, oferecendo condições como descontos, juros reduzidos e prazos ampliados para renegociação.
O parlamentar também destacou a regra que impede beneficiários do programa de utilizarem plataformas de apostas online durante um período de 12 meses.
Segundo Paim, a medida busca evitar que pessoas já endividadas sejam expostas a novos riscos financeiros relacionados às apostas virtuais.
Já o senador Confúcio Moura classificou o programa como uma resposta necessária diante do elevado nível de endividamento das famílias brasileiras.
Ele ressaltou que grande parte dos brasileiros utiliza crédito para cobrir despesas básicas, como alimentação e contas domésticas.
Oposição critica alcance da medida
Na oposição, o senador Styvenson Valentim avaliou que o Novo Desenrola possui efeito apenas paliativo.
Segundo o parlamentar, o governo não enfrenta fatores considerados centrais para o endividamento da população, como inflação elevada, aumento no preço dos alimentos e juros altos.
Styvenson também afirmou que pesquisas apontam que as apostas online não seriam a principal causa das dívidas das famílias brasileiras.
O senador Rogério Marinho criticou o uso de recursos do FGTS para renegociação de dívidas e afirmou que programas desse tipo tendem a beneficiar o sistema financeiro sem resolver o problema estrutural do endividamento.
Especialistas analisam impactos
O diretor executivo da Instituição Fiscal Independente, Marcus Pestana, avaliou que as condições previstas no programa podem estimular adesão significativa e contribuir para redução da inadimplência.
Já o consultor da Consultoria de Orçamentos do Senado, Daniel Veloso Couri, afirmou que os resultados tendem a ser limitados caso fatores estruturais da economia permaneçam inalterados.
Segundo ele, juros elevados e comprometimento da renda das famílias continuam sendo obstáculos para redução duradoura das dívidas.
O consultor também alertou para o chamado risco moral, situação em que a expectativa de novos programas de renegociação pode desestimular consumidores a manter pagamentos em dia.
Além disso, ele destacou que o aporte previsto de R$ 5 bilhões no Fundo Garantidor de Operações poderá gerar impacto nas contas públicas.