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Congresso

Novo Desenrola divide opiniões no Senado após chegada de medida provisória

09 mai 2026 - 20h23 Alexsander Arcelino
Senadores durante sessão debatendo programa Novo Desenrola no Congresso Nacional. Senadores divergem sobre impactos do Novo Desenrola no combate ao endividamento. (Imagem: Agência Senado)

A nova fase do programa federal de renegociação de dívidas, batizada de Novo Desenrola Brasil, começou a repercutir no Senado Federal antes mesmo da instalação da comissão mista responsável por analisar a medida provisória enviada pelo governo.

Enquanto parlamentares da base governista defendem a iniciativa como uma alternativa para aliviar o endividamento das famílias brasileiras, integrantes da oposição afirmam que o programa possui efeitos limitados e não resolve problemas estruturais da economia.

O Novo Desenrola foi criado por meio da Medida Provisória 1.355 de 2026, enviada ao Congresso Nacional nesta semana. Apesar de já estar em vigor, o texto ainda precisa ser aprovado pela Câmara dos Deputados e pelo Senado dentro do prazo constitucional para continuar válido.

Governistas defendem programa

O senador Paulo Paim afirmou que o programa representa uma medida importante para ajudar milhões de brasileiros endividados, oferecendo condições como descontos, juros reduzidos e prazos ampliados para renegociação.

O parlamentar também destacou a regra que impede beneficiários do programa de utilizarem plataformas de apostas online durante um período de 12 meses.

Segundo Paim, a medida busca evitar que pessoas já endividadas sejam expostas a novos riscos financeiros relacionados às apostas virtuais.

Já o senador Confúcio Moura classificou o programa como uma resposta necessária diante do elevado nível de endividamento das famílias brasileiras.

Ele ressaltou que grande parte dos brasileiros utiliza crédito para cobrir despesas básicas, como alimentação e contas domésticas.

Oposição critica alcance da medida

Na oposição, o senador Styvenson Valentim avaliou que o Novo Desenrola possui efeito apenas paliativo.

Segundo o parlamentar, o governo não enfrenta fatores considerados centrais para o endividamento da população, como inflação elevada, aumento no preço dos alimentos e juros altos.

Styvenson também afirmou que pesquisas apontam que as apostas online não seriam a principal causa das dívidas das famílias brasileiras.

O senador Rogério Marinho criticou o uso de recursos do FGTS para renegociação de dívidas e afirmou que programas desse tipo tendem a beneficiar o sistema financeiro sem resolver o problema estrutural do endividamento.

Especialistas analisam impactos

O diretor executivo da Instituição Fiscal Independente, Marcus Pestana, avaliou que as condições previstas no programa podem estimular adesão significativa e contribuir para redução da inadimplência.

Já o consultor da Consultoria de Orçamentos do Senado, Daniel Veloso Couri, afirmou que os resultados tendem a ser limitados caso fatores estruturais da economia permaneçam inalterados.

Segundo ele, juros elevados e comprometimento da renda das famílias continuam sendo obstáculos para redução duradoura das dívidas.

O consultor também alertou para o chamado risco moral, situação em que a expectativa de novos programas de renegociação pode desestimular consumidores a manter pagamentos em dia.

Além disso, ele destacou que o aporte previsto de R$ 5 bilhões no Fundo Garantidor de Operações poderá gerar impacto nas contas públicas.

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