Aplicativo da Carteira de Trabalho Digital utilizado por trabalhadores brasileiros.
(Imagem: Marcelo Camargo Agência Brasil)
O debate sobre o fim da escala 6x1 no Brasil tem avançado no Congresso Nacional e pode representar apenas o início de uma série de mudanças mais amplas na legislação trabalhista a partir de 2026. As propostas em análise vão além da reorganização da jornada semanal e incluem transformações estruturais na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
Uma das principais discussões envolve a redução gradual da carga horária semanal, atualmente fixada em 44 horas. A proposta prevê uma diminuição progressiva até atingir 36 horas, sem redução salarial durante todo o período de transição.
Redução da jornada de trabalho em debate
O projeto relacionado ao fim da escala 6x1 estabelece que, no primeiro ano após a aprovação, a jornada semanal passaria para 40 horas. A partir daí, haveria reduções anuais de uma hora até alcançar o limite de 36 horas semanais.
No Congresso, diferentes propostas seguem em tramitação. No Senado, uma Proposta de Emenda à Constituição já avançou na Comissão de Constituição e Justiça e aguarda votação em plenário. Para ser aprovada, será necessário o apoio mínimo exigido em dois turnos.
Na Câmara dos Deputados, há alternativas distintas sendo analisadas. Uma delas propõe a adoção da escala 4x3, com quatro dias de trabalho e três de descanso por semana, enquanto outra sugere uma transição mais longa, podendo chegar a dez anos.
Apesar das diferenças, há consenso em pontos como a manutenção dos salários e a garantia de pelo menos dois dias de descanso semanal remunerado.
Impacto direto no mercado de trabalho
O possível fim da escala 6x1 pode afetar milhões de trabalhadores em todo o país. Dados indicam que mais de 37 milhões de brasileiros trabalham atualmente acima de 40 horas semanais, sendo cerca de 14 milhões no modelo 6x1.
A redução da jornada é defendida por integrantes do governo como uma forma de aumentar a produtividade e melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores. Também há expectativa de redução de afastamentos por questões relacionadas à saúde mental.
Registros recentes apontam um número expressivo de licenças médicas ligadas a problemas como ansiedade, depressão e burnout, frequentemente associados a jornadas extensas de trabalho.
Outras mudanças previstas para 2026
Além do fim da escala 6x1, outras alterações na legislação trabalhista já estão sendo planejadas. Entre elas, está a retomada do adicional de periculosidade para trabalhadores que utilizam motocicletas como ferramenta de trabalho.
A medida prevê um acréscimo de 30% sobre o salário-base, mediante comprovação técnica do risco envolvido na atividade. Setores como entregas e logística devem ser diretamente impactados.
Outro ponto importante é a atualização da Norma Regulamentadora nº 1, que passará a incluir riscos psicossociais no ambiente de trabalho. Questões como assédio moral, metas abusivas e pressão excessiva passam a ser consideradas na fiscalização.
Mudanças exigirão adaptação das empresas
Com o avanço do debate sobre o fim da escala 6x1, especialistas apontam que as empresas precisarão se preparar para um novo cenário. Isso inclui revisão de contratos, reorganização de equipes e adaptação de políticas internas.
A tendência é de aumento na fiscalização e maior rigor no cumprimento das normas trabalhistas, o que pode exigir planejamento estratégico por parte do setor produtivo.
Caso aprovadas, as mudanças poderão redefinir a dinâmica das relações de trabalho no Brasil, com impactos tanto para trabalhadores quanto para empregadores.